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"Minha mãe é uma peça" e a comunicação violenta

     Olá, pessoal!


     É muito provável que você já tenha assistido “Minha mãe é uma peça”, já que o filme, lançado em 2013, fez um grande sucesso no cinema nacional e até ganhou continuação. O longa é focado no relacionamento de Dona Hermínia, uma dona de casa de classe média, e seus dois filhos. A maioria das pessoas acharam o filme muito engraçado – assim como eu – e notaram semelhanças entre o comportamento da matriarca da família e o de seus pais – assim como eu.

     Acontece que Dona Hermínia é a comunicação violenta em pessoa e essa grande identificação com a personagem deixa claro como essa modalidade de comunicação está fortemente presente entre nós, brasileiros. A naturalização da comunicação violenta causa muitos atritos no nosso dia a dia. O filme mostra, em diversos trechos, como a forma de falar de Dona Hermínia gera conflitos nas mais diversas situações que vão desde um café da manhã em família até uma reunião de condomínio. 

     Muitas vezes, as pessoas estão tão acostumadas a se expressarem de maneira violenta que nem mesmo percebem quando estão sendo grosseiras. Uma forma de quebrar esse ciclo e evitar conflitos desnecessários é a adoção da comunicação não-violenta (CNV). A CNV é uma técnica de comunicação desenvolvida pelo psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg que tem como objetivo ajudar as pessoas a se comunicarem de maneira mais eficaz até mesmo em situações extremas como a guerra.

     A CNV é baseada em um framework de quatro pilares que são:

1.    Observação
2.    Sentimentos
3.    Necessidades
4.    Pedidos

     O primeiro pilar é sobre observar sem julgamentos, ou seja, nele você apenas descreve para a outra pessoa a ação dela que te incomodou – sem nenhum juízo de valor. Já no segundo pilar, você deve dizer como a atitude do outro fez você se sentir. No terceiro, explique o que você precisa e no quarto peça o que você precisa que a pessoa faça.

     Um exemplo de frase criada por meio desse framework é: “Ontem você se atrasou,  isso causou problemas para toda a equipe e seus colegas se sentiram desrespeitados, pois eles precisam sentir que você está tão comprometido com o trabalho quanto eles, por isso eu gostaria que você chegasse no horário na próxima reunião.”

     Não vou mentir, a teoria definitivamente é muito mais fácil que a prática. 

     Utilizar a CNV no dia a dia é um grande exercício de inteligência emocional e requer um grande comprometimento, já que para utilizá-la muitas vezes você precisará “domar” seus sentimentos e impulsos. Desenvolver empatia pela outra pessoa pode ser de grande ajuda nesse processo, inclusive eu já escrevi sobre esse tema aqui https://comunidadedoestagio.com/blog/inteligencia-emocional-como-usar-a-empatia-para-ter-sucesso.

     Observe que a proposta da CNV não é impedir que você fale sobre algo que te incomoda, mas sim falar sobre o assunto de maneira saudável e eficiente, em vez de criar conflitos e prejudicar relacionamentos – sejam eles pessoais ou profissionais. 

     A utilização da CNV se torna mais fácil e natural com a prática, porém como todos sabemos, a criação de novos hábitos mesmo que saudáveis é sempre um desafio. Muitos de nós, assim como Dona Hermínia, estamos acostumados a ter a comunicação violenta como padrão. Nesses casos, passar a utilizar a CNV exigirá ainda mais determinação.

     Relacionamentos interpessoais são muito importantes tanto em nossa vida pessoal como profissional, por isso, aprender técnicas para tornar esses relacionamentos funcionais e saudáveis são cruciais. Apesar de ser muito engraçada, Dona Hermínia não é um bom exemplo quando se trata de habilidades de comunicação, então se seus amigos compararem o seu jeito de falar com o dela você tem muitos motivos para ficar preocupado!

     Se este assunto te interessou, recomendo que você leia os textos que utilizei como base para escrever esse artigo:

https://www.napratica.org.br/comunicacao-nao-violenta/

https://blog.trello.com/br/comunicacao-nao-violenta

Até a próxima!

Comunidade do Estágio
Francyne Marilia Firmes dos Santos
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Curso Administração na UFF e sou formada em Arquivologia pela mesma universidade. Apaixonada por educação, fã de Star Wars e capricorniana.

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