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Por qual razão todos devemos estudar música?

Por qual razão todos devemos estudar música?

"Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão" assim afirmou Artur da Távola. Esta frase, de forma poética, canaliza toda a ideia das razões que nos levam a estudar música, entretanto, vamos nos estender um pouco mais.


A música acompanha a humanidade desde a aldeia tribal mais isolada até os grandes castelos europeus. Sua utilidade pode ser muitas: ritualísticas, entretenimento, chamado de guerra etc. 


Há alguns artigos atrás, discutimos a importância de se ouvir música enquanto estudamos, mas qual a razão para tomarmos a música como objeto de estudo? Estudar música é estudar a si mesmo.

 

Algumas pesquisas indicam que ao estudar música encontramos um aporte que pode nos auxiliar a enfrentar melhor problemas familiares. Neste sentido, a música atua como válvula de escape, aliviando o estresse, aumentando a concentração e melhorando o relacionamento interpessoal do estudante. Ademais, a música também ajuda na maneira em que o indivíduo se expressa e acaba fornecendo subsídio cultural para a sua formação. 

 

Isto tende a não ser novidade para quem já estuda música, porém esses efeitos se dão de forma tão orgânica que podem passar despercebidos. Afinal, você que está lendo e toca algo, quantas vezes não se pegou triste, introspectivo, ou mesmo com uma alegria arrebatadora e correu para buscar o seu instrumento?

 

Mas afinal, o que é a música?

No clássico "Didascalicon - Sobre a Arte de Ler", o gigante Hugo de São Vitor expõe algumas ideias sobre a música!

Hugo separa a música em três categorias - que por sua vez, dividem-se em mais categorias - sendo elas:

  1. Do universo
    A do universo, diz ele, é encontrada nos elementos, nos planetas e nos tempos. Nos elementos, ela está no peso, no número e na medida; nos planetas está na posição, no movimento e na natureza; e nos tempos, está nos dias, segundos e a alternância entre luz e escuridão [...].
     
  2. Humana
    A música humana encontra-se no corpo, na alma e na conexão entre os dois. No corpo ela está na potência vegetal, segundo a qual cresce e pertence a todos e está nas atividades que correspondem especialmente aos seres racionais e que são boas se não ultrapassarem o seu limite justo; a música encontrada na alma está nas virtudes como a justiça, a piedade e a temperança, e está nas potências, como a razão, a ira e a concupiscência. A união entre os dois (da música da alma com a música do corpo) não se dá através de fatores corporais-físicos, mas sim fatores afetivos.
     
  3. Instrumental
    A música instrumental é aquela acepção que mais estamos habituados, se dá através do toque de cordas, no pulso, no sopro, etc. Os tipos de músico, segundo Hugo, também divide-se em uma tríade:
    Os que compõe a lírica;
    Os que tocam instrumentos;
    Os que julgam a lírica e a execução dos instrumentos.

Infelizmente a música hoje em dia é relativizada, acarretando na perda da essência do belo e do bom. Acredita-se piamente que qualquer coisa produzida sonoramente é música, quando na realidade, não é.

O que é mais triste nesta história, não é apenas a banalidade daquilo que temos como música, mas principalmente o fato de termos nos distanciados dos conceitos mais profundos que esta palavra pode trazer - e do que ela pode nos fazer sentir.

 

#ColunistaOficialAU

 

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Lucas Costa Souza
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