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O velho clichê (positivo) do RPG

O velho clichê (positivo) do RPG

Meu primeiro contato com RPG ("Role Playing Game", ou Jogo de Interpretação de Papéis, em português), foi, como o de muitos outros, com o Dungeons and Dragons (D&D, para os íntimos). Foi com uma caixa "starter set" da famigerada quarta edição do jogo; uma caixa vermelha com um visual "old school", lembrando a primeira edição, que comprei na Bienal do Livro, na estante da editora Devir, aos meus 14 anos. Tentei jogar com dois amigos, mas na caixa não vinha dados, então não foi para frente. O RPG só voltou à minha vida aos meus 19 anos, quando me surgiu um estalo. Desde então, fui a alguns eventos públicos aqui perto de casa, inclusive, em um deles, fui, sem querer, o causador do apocalipse. E agora, sou um "Dungeon Master" (DM, ou Mestre do Jogo).

Mas o que é RPG?
É talvez o melhor jogo já inventado. Você incorpora um personagem (criado por você ou não), podendo ser em diferentes cenários, mundos ou universos, e rola os dados para ver se você consegue (ou não) realizar feitos, simples ou épicos (com moderação, pois pode se tornar cansativo nas ações mais simples). Isso tudo coordenado pelo DM, que é uma espécie de "deus" (por falta de palavra melhor).

Mas o que esse jogo pode trazer de bom?
Além de horas de diversão, pode trazer ótimos benefícios sociais. Eu e meus amigos estamos indo para a sétima partida, e conheci boas pessoas nos eventos. Mas o melhor, para mim, foi que aumentou minha confiança. Como DM, você deve narrar o jogo, e isso melhorou muita minha dicção, inspiração, criatividade, me fazendo ter tanto mais confiança para falar em público ou em privado com as pessoas. 
Isso não é exclusividade do DM, jogadores fazem suas ações as dizendo em voz alta, e esperando o que os outros jogadores irão dizer sobre. Isso melhora a confiança em si.
Isso é uma espécie de clichê, porém positivo, claro. Pois é incontável o número de relatos de pessoas que agradecem ao jogo.

O RPG era voltado para o público nerd, e depois de ameaças por parte de igrejas dizendo que o jogo tem relação com artes das trevas e um bom tempo no ostracismo, o jogo voltou mais popular do que nunca. O que era voltado para um público majoritariamente masculino, tem abrerto muitas portas para garotas e mulheres jogarem. Inclusão é muito importante, seja para o sexo feminino, quanto para negros, homossexuais, pessoas trans, não binários e etc, ainda mais em um jogo onde você pode ser você mesmo em um jogo, seja de fantasia medieval como em D&D, ou de terror em Call of Cthulhu, dentre muitos outros.  

Como já dizia a banda "Blind Guardian" (ícone para os jogadores de RPG":
"And you're not alone
So don't be afraid
In the dark and cold
'Cause the bards' songs will remain"

("E você não está sozinho
Então não tenha medo
Na escuridão e no frio
Pois as canções dos bardos irão prevalecer")

E não é isso que se trata RPG? Em D&D você espera fazer feitos épicos, na esperança de que os bardos cantem por muitas gerações sobre eles.
Hora de rodar os dados.

Comunidade do Estágio
João Vitor Muniz Buarque
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Um estudante de animação, amante de cinema, games (audiovisual em geral), quadrinhos, filosofia e etc.. Não sei o que o futuro me reserva, mas espero que seja como em um livro de Thomas Pynchon.

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