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Mercado de trabalho, saúde mental e individualidades

Mercado de trabalho, saúde mental e individualidades

Assim como o mercado de trabalho, as profissões estão em constante mudança; em alguns casos são requeridas especificidades, em outros, conhecimentos amplos sobre a área. Para ingressar no mundo corporativo através do estágio, a pressão individual pode ser bem grande em relação à segurança própria. Seria parte de uma autossabotagem ou realmente estão sendo exigidas habilidades e responsabilidades que muitas vezes não são recompensadas pela vaga?

Na área de comunicação, por exemplo, muitas pessoas se queixam ao encarar uma vaga destinada aos estudantes de publicidade, mas que, na prática, deveria ser dividida em uma equipe com designers, marketeiros, jornalistas e produtores audiovisuais; todas essas funções acabam sendo supridas por uma única pessoa que pode acabar sendo sobrecarregada não só de trabalho, como também de investimentos pessoais de modo a aprender aquilo que a empresa espera, para assim, não perder o emprego. Isso está diretamente ligado à desvalorização de inúmeras profissões, principalmente das ciências humanas e sociais.

Nesse caso, há ainda a sensação de que não importa o quanto se aprende, nunca é o suficiente e ainda há um oceano de coisas novas para aprender. Até certo ponto pode ser verdade, desde que seja de interesse próprio e com consciência de que está tudo bem não saber de todas as coisas do universo, já que isso é humanamente impossível. Quando isso é cobrado por um sistema como um padrão de vida (em que o sucesso e a felicidade nem são garantidos, essa segunda nem prioridade é), a pressão pode vir à tona e causar danos psicológicos graves como ansiedade, depressão e diversos transtornos.

Além disso, é cada vez mais comum que o trabalho tome conta da vida pessoal. Principalmente durante a pandemia, com a adoção do home office, muitas mulheres, especificamente, tiveram que se desdobrar entre as tarefas do trabalho, domésticas e com os filhos, ainda há quem as aplauda por isso como se fosse algo aceitável. Mesmo antes do isolamento social, era recorrente levar tarefas do trabalho para finalizar em casa, ou receber ligações fora do horário comercial. São poucas as empresas que arcam com os desdobramentos, oferecendo apoio e benefícios, se importam com a saúde mental dos empregados e evitam esse tipo de comportamento.

Essas questões também podem ser ligadas ao discurso proferido irresponsavelmente de que “se você trabalha com algo que ama, não terá trabalho” ou “enfermagem por amor”. A ideia de que você ocupe seu cargo 24 horas, você ser enfermeiro, não trabalhar como enfermeiro e que se você ama o que faz, está tudo bem passar por qualquer tipo de precarização é uma problemática que está nas entrelinhas desse incentivo dado desde o ensino médio. É extremamente necessário priorizar a saúde mental, os direitos e a individualidade dentro do mercado de trabalho.

Comunidade do Estágio
Mariana Martins
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Colunista Oficial AU | Estudante de Jornalismo | Aluna Pesquisadora Sempre bom lembrar: não fui eu, foi meu eu lírico.

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