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"Mafia III": Amor e ódio?

 

Nota: Spoilers sobre o jogo adiante.

Alguns dizem que você só pode opinar sobre uma coisa depois de fazê-la.

E às vezes, ele tem razão. E “Mafia III” é uma prova disso.

Começo aqui dizendo que não joguei os outros “Mafia”, mas conheço a história, principalmente do segundo, sobre o imigrante italiano Vito Scaletta, o que me ajudou muito nesse jogo. 

 Vamos começar falando dos trailers do jogo. Eles são perfeitos! Pena que o jogo em si não seja bem assim. Usando músicas como “Bottom of the River”, do grupo Delta Rae, “The House of the Rising Sun”, do The Animals e até do Ice Cube, com a música “Nobody Wants to Die”, o jogo se mostra muito promissor. A música de Delta Rae nos mostra a história do jogo, com uma possível conversão de alma, e também pontos altos do jogo, como por exemplo, a missão de acabar com uma reunião da Ku Klux Klan (voltarei nisso mais adiante). O trailer do The Animals, o primeiro a ser apresentado, nos dá uma ideia do plot do jogo. E o último, com Ice Cube, as alianças possíveis.

    Qual a história desse jogo, lançado em 2016 pela 2K games?

    Lincoln Clay acabou de voltar do Vietnã, durante a década de 60 e consequentemente, durante a guerra que assolou o país agricultor. Ele volta para o seu lar e sua família, que o acolheu quando precisava: a máfia negra de New Bordeaux, versão do jogo para Nova Orleans. Porém, mesmo fazendo acordos com a máfia italiana comandada por Sal Marcano, o mesmo os trai, mata a todos e deixa Clay para morrer. Resgatado pelo padre James, ele parte em uma jornada de vingança para não só matar Marcano, mas também com todo seu império na cidade. Nada é mais perigoso do que um homem que não tem nada a perder.

É importante dizer que a história tem momentos no passado e no presente, estes em forma de documentário. Também há passagens no passado usando o mesmo estilo narrativo. É nas cutscenes que o jogo brilha: são excepcionais. Dá para ver os poros dos personagens e o brilho em seus olhares.

Porém, tudo é (quase) ofuscado por uma mecânica de gameplay falha. Tirando missões exponenciais, como as do ínicio, a do final e algumas ao longo do jogo, a gameplay consiste em ir a um contato, ele te passar as informações do negócio ilegal local e você precisa causar prejuízos, matando e destruindo, até o encarregado aparecer e você matá-lo. 

Vou ser sincero: Só senti prazer nesse tipo de missões em dois momentos. No início, quando era um negócio de prostituição, pois eu me imaginava matando os cafetões e salvando as mulheres de um futuro de abusos (como disseram no seriado do History Channel, “Bonnie e Clyde”: “Não existe nada melhor do que meter uma bala na cabeça em quem merece uma bala na cabeça.”) e quando era para matar os membros da KKK ligados ao negócio. Apenas.

Mas o jogo possui “missões diferenciadas”, como matar um alvo em um prédio, onde você faz uma enorme chacina e o mata em seu escritório, com direito até a uma bazuca, no melhor estilo “Kick Ass”. Também há uma missão em um barco-cassino e na missão que eu disse anteriormente em que você invade uma reunião da KKK e pode matar os participantes (os que não conseguirem fugir). Isso é um diferencial e tanto.

Ressalvas para o final, onde o diálogo final de Lincoln e Sal é fenomenal. Você pode matar Sal de diferentes formas o jogando do alto de seu cassino, ou esperar ele se matar, após sair de seus lábios a frase: “Vou ficar esperando por você, Lincoln Clay. Esta não será a última vez que a gente se vê.”. Calafrios.

A mecânica de direção do jogo é boa, mas a da série GTA é melhor. O jogo possui um retrovisor no alto da tela que eu não entendi o porquê dele estar lá, uma vez que ele reflete apenas o que está perto, e o que está longe não é renderizado. 

O sistema de mira é um ponto alto também.

A questão é que os pontos positivos (a expressão facial dos personagens, as missões diferenciadas, os trailers perfeitos e até a trilha sonora - com músicas dos anos 60 -) são quase (eu disse QUASE) ofuscadas pela gameplay repetitiva e sem graça.

 Antes de jogar, eu achava que era frescura demais dos demais que fazem análises de jogos. Como disse João Cabral de Melo Neto (ao saber que talvez sua magnum opus não era lida pelo povo, e sim pelos intelectuais): “Quase me danei”.

Comunidade do Estágio
João Vitor Muniz Buarque
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Um estudante de animação, amante de cinema, games (audiovisual em geral), quadrinhos, filosofia e etc.. Não sei o que o futuro me reserva, mas espero que seja como em um livro de Thomas Pynchon.

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