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Inconsistência da juventude

Inconsistência da juventude

Oi, gente. Tudo bem? Hoje, às 19:06h de um sábado, lembrei de escrever sobre um livro que comecei a ler essa semana, de Rubem Alves, chamado "Concerto para corpo e alma", me propus a ler por 15 minutos diariamente, pois estava perdendo a vontade de ler! 

Então, junto com as reflexões que eu tive neste livro, também juntei com minhas reflexões que meu psicólogo me propôs. Espero que gostem.

Em primeiro lugar, o livro relata como estamos em constante necessidade de "conhecer mais" e não "saber", a sabedoria como a leveza do ser é de extrema importância! Penso que, atualmente, com as novas tecnologias e com a incerteza de quem você será, nós nunca estamos satisfeitos com o hoje. Para Rubem Alves "a sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria", e, hoje, agora, o que seria alegria? a necessidade que temos de nos atualizar, de nos modificar ao passo que a sociedade é moldada ao redor de séculos, nos faz sermos ansiosos, depressivos e principalmente: infelizes. Seria esse o preço a se pagar para sermos bem-sucedidos? ou não vivermos pequenas alegrias da vida? Não vejo o que sobra de nós senão a lembrança: micromomentos de felicidades que são, incontrolavelmente, modificados pela nossa memória e transformados em sensações passadas. Meu bolso da memória está repleto de coisas boas e ruins, mas que são únicas e passageiras. É sobre isso que o poema "o Haver" de Vinicius de Moraes relata:

"Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius."

É isso o que eu sinto, o que me resta são apenas momentos de lembranças que vou levar comigo até a minha morte, e o que resta é a escolha de quem eu serei hoje, visto que eu tenho milhões de versões sobre eu mesma. Segue um trecho do livro de Alves para que possamos nos acalmar diante da insustentabilidade de ser um só "O português correto diz: "eu sou". Sujeito singular, verbo no singular. Mas quem aprender de Sócrates, quem se conhece a si mesmo, sabe que a alma não coincide com a gramática. A alma diz: "Eu somos". E diz bem. Pergunto me: "Qual dos muitos 'eus' eu sou?". 

E pasmem: ainda estou procurando esta resposta! Quando perguntam "quem você é?" é quase impossível você dizer necessariamente, quem você é, pois, você não é um conjunto de adjetivos que, juntos, não fazem de você quem você é, sua família não diz sobre você mais do que você, mas, da mesma forma, você também não pode dizer quem você é, porque não somos afirmativas que se moldam ao passar do tempo, não temos certeza de quem somos e não podemos dar essa certeza para qualquer outro! É certo que, de qualquer maneira, somos pessoas, de maioria estudante, a procura de um mínimo reconhecimento que apenas se satisfará quando respondermos a nós mesmos: quem eu serei hoje?

 

a inconsistência não precisa ser negativa, porém, precisa ser calma, assim como as coisas mudam sem a pressão de ter que se readaptar. Queria eu ser inconsistente sem o peso de precisar sê-lo. Quero eu descobrir quem eu quero ser, sem o peso de "quem você é". Quero levar momentos felizes comigo, para que os tristes possam ser calmos tanto quanto os picos de euforia. 

Muito se diz sobre good vibes e ninguém diz "você vai ter momentos tristes, de raiva, de inveja.. você vai ter sentimentos ruins, e tá tudo bem". Os momentos ruins só existem porque momentos felizes também existem, e eu não sou nada a mais do que um conjunto de memórias. 

 

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