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Eu achava que isso só acontecia comigo: da solidão a resiliência

Eu achava que isso só acontecia comigo: da solidão a resiliência

Muito se vive na pele, porém pouco se fala sobre uma das maiores complexidades que compõe o ser humano desde que o mundo é mundo: a vergonha

Essa emoção tão universal e ao mesmo tempo, sentida de forma tão particular por cada indivíduo, é objeto de estudo da professora e pesquisadora Brené Brown, e foco de Eu achava que isso só acontecia comigo

Partindo de sua pesquisa, e após entrevistar mais de 300 mulheres sobre o tema durante 16 anos de trabalho, Brené define a vergonha como sendo o sentimento ou a experiência intensamente dolorosa de acreditar que somos inadequados e por isso indignos de aceitação ou acolhimento.

Há inúmeras razões que quando combinadas, tornam a vergonha tão poderosa e devastadora, mas dois dos principais motivos são o fato dela nos atacar bem onde somos mais vulneráveis - nossos chamados pontos fracos - e por ser tão tendenciosa para nos levar ao isolamento, pois uma vez expostos, temos a falsa ideia de que somos os únicos a experimentar tal sensação.

E mesmo a vergonha sendo essa sanguessuga insaciável, que nos rouba energia, provoca embaraços e nos deixa refém de julgamentos alheios, a verdade nua e crua é que, apesar de todos os esforços, infelizmente não existe um antídoto definitivo para tal emoção. Porém, é possível -  e necessário - criar a chamada resiliência à vergonha.

 

A EMPATIA COMO RESPOSTA

Para todo mal há uma cura, e se a vergonha nos leva a um ciclo doloroso de medo (receio de julgamentos, de se sentir exposto, frágil),  recriminação (culpar-se por ser “o único com esse problema/pensamento”)  e desconexão (afastar-se gradualmente da família, dos amigos, da vida social e de situações diversas para evitar cair em julgamentos), a resposta vem na forma da empatia, da coragem, da compaixão e da conexão.

Para desarmar nossa vergonha, nos livrar dos rótulos que muitas vezes nos são impostos pelas pessoas e pela mídia, e criarmos a resiliência - que trata-se de uma construção diária - as etapas traçadas por Brené são: reconhecer os gatilhos da vergonha, praticar a consciência crítica, buscar apoio e falar da vergonha.

A partir do momento que entendemos que essa luta trata-se de uma batalha individual e coletiva ao mesmo tempo, prestamos atenção em como a vergonha opera não só em nosso consciente, como também no dos outros, e praticando a consciência crítica com relação a tudo aquilo que pode vir a ser um gatilho, buscamos a chamada “rede de conexão” (pessoas com quem podemos contar), formando assim uma rede de apoio, e entendendo todo esse complexo mecanismo, passamos a falar sobre a vergonha, a compreendê-la, e mais importante ainda, a ajudar pessoas que se sentem da mesma forma.

A lição final que permanece de Eu achava que isso só acontecia comigo é simplória e certeira: a necessidade de se criar uma cultura de conexão para lidar com a vergonha - e tantas outras emoções -  é mais do que urgente.

 

Comunidade do Estágio
Mariana Fekete Oshima
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Futura publicitária, apreciadora de boas histórias e escritora de corpo e alma. Apaixonada por livros, e mais apaixonada ainda pela possibilidade de tocar pessoas com palavras.

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