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Estruturação de uma mente computacional: ChatGPT e a era da abstração

Estruturação de uma mente computacional: ChatGPT e a era da abstração
Flávia Rosado Lima
mar. 2 - 10 min de leitura
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Graças ao seu cérebro, você é o melhor artefato biônico existente. Como a máquina quântica mais fantástica que nossa ciência da Terra conhece, este precisa de algoritmos para processar suas reações eletroquímicas com a consistência necessária para tarefas básicas de sobrevivência. Bem, quando se trata de hibridismo ecológico, os reinos Fungi e Bacteria coloca a gente no chinelo, mas este é outro assunto.

Desde os primórdios da computação, as máquinas servem para um único fim: mediante uma entrada, processá-la e gerar uma saída. Independente se o domínio da computação que aplicamos esta premissa for a comunicação entre as máquinas, a comunicação entre nós e as máquinas ou a comunicação no interior da máquina. Em sua estrutura hierárquica composta por bits de "fazer" [1] ou "não fazer" [0], determinada instrução e a carga desta atividade são enviadas para o 'garçom' que atua entre os choques da máquina e o que o sistema operacional vai nos mostrar (retorno), e o processo é sempre o mesmo: um pedido, choques de verificação, transporte, processamento, e o retorno deste modelo estabelecido ao seu respectivo sistema. E como já estamos na Era dos Dados há cerca de uma década, envolvendo unidades de processamento altamente potentes, como bons humanos já conseguimos fundir o axioma lógico do que conhecemos do funcionamento do cérebro com a performance computacional. Isto foi possível porque, desde o princípio, o cérebro em si faz interações a partir da lógica computacional para otimizar tantas informações quanto necessárias (e quanto dispostas pelos sentidos) para recolher significado de alguma coisa em nosso campo racional. E foi graças a esta habilidade intrínseca que foi possível o desenvolvimento de aprendizado profundo e de redes neurais, culminando no show de artes (inclusive a imagem deste artigo) que visualizamos inteligências artificiais dando hoje, e isto em respeito apenas às leis modernas de Newton - imagine quando for popularizada a computação quântica.

De qualquer forma, antes de falar do ChatGPT, um chatbot advindo do GPT-3 e assunto explodido nestes dois primeiros meses pela internet desde sua liberação pública em novembro, preciso trazer a importância de palparmos a abstração enquanto humanos e como isto faz toda a diferença em meio aos medos advindos de layoffs consecutivos e tantos conteúdos gerados por inteligências artificiais generativa. Da mesma forma como buscamos sempre condicionar nosso corpo a distintas rotinas por inúmeros motivos com o objetivo final de produzir, conseguir ou ser alguma coisa da forma mais orgânica possível, precisamos condicionar os blocos de construção que compõe o pensamento humano. Para isto, é necessário estabelecer parâmetros de conexão entre a lógica e a capacidade criativa em nossa mente, somente possível a partir da comparação entre o que conhecemos e nossa forma única de processar informações. Este tema é facilmente candidato de composição de uma base de dados com arquitetura neural por si só, mas com certeza representa um bom exemplo de como podemos usar o chatbot a favor do desenvolvimento de conteúdos humanos.

Isto porque, à grosso modo, ainda não entramos na etapa de inteligência artificial forte enquanto modelo autoconsciente e autocapaz.

F: você sabe o que você é? você é capaz de criar arte sem nenhuma instrução minha?

ChatGPT: Como um modelo de linguagem IA, sou um programa de software desenvolvido pela OpenAI para processar e gerar linguagem semelhante à humana. Não tenho consciência, emoções ou criatividade como os humanos, mas fui projetado para realizar uma ampla gama de tarefas relacionadas à linguagem, como responder a perguntas, resumir texto, traduzir idiomas e gerar texto.

Em relação à criação de arte, posso gerar descrições de texto de arte, analisar e comentar sobre obras de arte existentes e fornecer orientação sobre técnicas e estilos com base na contribuição humana. No entanto, não posso criar arte física sem hardware externo ou instruções de um artista humano.


Tudo funciona, então, na base da reação sobre algo imposto por nós (dado o árduo treinamento do GPT em entender nossas entradas consistentes) e de quanto conhecimento (informações, dados) alimentam a arquitetura responsável pelo processamento de nossa requisição para sua devolução surpreendente. Em termos técnicos, a IA utiliza-se da lógica difusa para aperfeiçoar pragmatismos matemático e simbólico do construcionismo social mediante a perspectiva de quem a conduz.

Já do ponto de vista humano, e aqui entra a relevância da capacidade de abstração, as bases de conhecimento que alimentam as IAs compõem um ecossistema ontológico riquíssimo (pense na maior biblioteca que você já viu na vida) capazes de conduzir (e aprimorar, sim) nossa relação com a epistemiologia e construtivismo (sugiro Karin Knorr Cetina para mais).

É incrivelmente similar a quando e ao quanto você precisa se empenhar para dominar uma atividade multidisciplinar a fim de resolver um problema extenso, ou enxergar por outras perspectivas uma situação específica.


Dito isto, vamos às partes que interessam. Programação é um conceito amplo que se resume em uma faceta: a ação de programar, escrever, desenvolver objetos e serviços a partir da capacidade de gerar elementos com máxima generalização possível, mas que ainda consigam associar-se de forma complexa à realidade concreta. Atributos, ou elementos, modificáveis, conforme o movimento do mundo, findando estruturar ou condicionar seu funcionamento ao de outros componentes (igualmente atribuíveis mediante contexto). A abstração faz parte da quarta e última fase da estrutura de desenvolvimento do pensamento para Jean Piaget, enquanto a programação seria a habilidade de pensamento por complexos trazido por L.S. Vygotsky. De forma incremental, natural e também cíclica, conseguimos em algum momento atribuir sentido palpável a signos a ponto de modularizar objetos do mundo em elementos, e disponibilizá-los sobre ambientes e contextos conforme necessário, bem como fazer integrações entre componentes-chave (um exemplo é o 'garçom' supracitado).

Foi necessário uma série de algoritmos, de muita oratória e de contínua argumentação lógico-formal para a geração de um compilado concreto e funcional de nossa mente, como o ChatGPT e outras IAs generativas. Ter medo deles seria, portanto, uma forma de sustentar uma mazela enquanto humano em seu último estágio de elaboração, e, da mesma forma, negar a etapa em que a sociedade hoje está. Bill Gates disse que o ChatGPT é tão importante quanto a invenção da Internet, o Vale do Silício está louco para acompanhá-lo - o Google Bart então... - e a China, apesar de se considerar um país democrático, como instinto de qualquer pessoa com medo do desconhecido, restringiu seu uso. Enquanto no Brasil, por exemplo, ajudou a impulsionar o PL 21/2020 para regulamentar IAs. Quanto mais cedo a aceitação da realidade, mais rápidos nossos erros serão corrigidos (igual na terapia, risos).


Poderia passar o artigo falando sobre os regalos (não apenas) desta ferramenta, mas seguirei insistindo que os haveres do ChatGPT são incontáveis a quem evoluiu seu pensamento à Era da Abstração. Ter a propriedade do pensamento formal bem estruturado não involui os famosos soft skills, pelo contrário, na verdade. As 7 artes estão na base das inteligências artificiais (e não só elas, obviamente), mas nenhuma dessas IAs consegue ligar-se e resolver gerar uma imagem por si só, sem contexto. A capacidade de sonho (inclusive, abstrato) e sublimação seguem componentes exclusivos do ser vivo. Cabe a nós provarmos - unido ao processamento de redes neurais e aprendizado profundo de incontáveis bases de dados em distintos contextos - um retorno mais criativo, sugestões mais refinadas e uma ciência mais completa quanto nossa imaginação solicita para que aprimoremos nossos conteúdos humanos.

Por mais que Turing fique extremamente orgulhoso (com razão), ter em mãos a habilidade de interagir com a lógica matemática booleana não significa ter em mãos a Verdade (e se você achar isto possível, algum passo na fundação de sua abstração falhou), até porque o próprio ChatGPT falha em referências (por exemplo, uma de suas bases é a Wikipedia, com vários conteúdos errados) e, como tudo escrito pelas mãos humanas, pode ser tendencioso e mesmo perigoso. É necessário seguir compactuando com a curiosidade, pois, como diz Tom Zé, é ela quem Salva a Humanidade.


Por fim, associado à lógica sistêmica das regras econômicas, de negócio, da sociedade e de seus grupos de vivência particulares, nossa mente computacional com estes aliados é uma arma importante para qualquer líder. Não me entenda mal: líder de si mesme, de um recurso, de projeto, de gerenciamento, de domínio, de nação. Qualquer tipo de líder necessita de capacidade e habilidade de programar seu micro e o macro, mediante tantas externalidades/contextos, de modo sucinto a ponto de desenvolver um algoritmo orgânico.


Obs: pessoal, sei que referencio muito em inglês, mas por ser parte necessária da minha área, precisa ser algo natural para mim. Vou deixar aqui um local bem bacana para estudar e aprender inglês no Youtube e também tecnologia em 1 e em 2.

Até a próxima.
:)


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