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A toxicidade do Instagram

A toxicidade do Instagram
Mariana Fekete Oshima
jan. 26 - 5 min de leitura
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Recentemente fiz uma resenha aqui na comunidade sobre o filme Ingrid vai para o Oeste, no qual, a protagonista se torna uma verdadeira escrava das redes sociais, colocando sua saúde mental e até sua própria vida em risco, indo até as últimas consequências, tudo em nome da popularidade, dos likes e dos seguidores.

A mensagem do filme a respeito do quanto redes como o Instagram podem representar um perigo virtual e real,  vai ao encontro de um verdadeiro dilema nos dias de hoje, principalmente para as gerações mais novas. Segundo estudo publicado em 2020 pela empresa americana Rev,  65% da geração Z (nascidos em meados dos anos 1990 até 2010) utiliza o Instagram diariamente, e a maioria das notícias vistas por esses jovens é via IGTV.  E segundo pesquisa feita pela Booking.com em 2019, 48% da geração Z possui maior tendência a planejar sua próxima viagem com base no que consome no Instagram e cerca de 45% diz confiar em influenciadores digitais a respeito de recomendações turísticas.

 

É no mínimo impressionante o poder de influência que tais redes exercem sobre a juventude nativa digital - não à toa o TikTok se tornou febre recentemente - mas pouco ainda se fala a respeito do quanto esse consumo pode ser também problemático.

Saindo um pouco da questão de sua importância e do quanto redes sociais se tornaram partes quase inseparáveis da rotina, convertendo-se em fontes de informação e inspiração, há também o outro lado, bem menos positivo e muito mais sombrio: o da comparação.

Ainda que você não o acesse com certa regularidade, é praticamente impossível não possuir pelo menos um perfil em alguma rede social, e em tempos em que o engajamento dessas redes dita as tendências de consumo atuais e futuras, não se sentir influenciado por elas é tarefa dificílima.

 

ANSIEDADE, VIDA PERFEITA E... FoMO

Sem perceber, checamos as notificações a cada cinco minutos, passamos meia hora tentando tirar a “foto perfeita” e nos sentimos frustrados quando vemos a foto de alguém na praia às oito da manhã de uma segunda-feira.

O termo para esses sintomas, é conhecido como FoMO ou “Fear of Missing Out” (medo de estar perdendo algo), síndrome citada pela primeira vez em 2000 por Dan Herman e definida tempos depois por Andrew Przybylski e Patrick McGinnis como sendo um tipo de receio de ficar de fora de novidades e assim perder oportunidades e boas experiências vivenciadas por outras pessoas.

Mais do que qualquer outra rede social atualmente, o Instagram é o mais perfeito retrato dessa realidade distorcida a qual todos querem fazer parte. Se em seus primórdios, era uma maneira de simplesmente compartilhar momentos da vida com amigos e familiares, tal qual o Facebook foi um dia, hoje, pode-se dizer que a rede se tornou um emaranhado de hashtags e fragmentos de ostentação postados em nome das curtidas e do engajamento. E assim como o vício, também pode provocar a necessidade de estar 100% do tempo online para “não perder nada”, abstinência, irritabilidade, insônia, tédio, estresse, insatisfação com a própria vida e com o próprio corpo, ansiedade e no pior dos quadros, até depressão

Segundo o #StatusofMind (Status da Mente), pesquisa desenvolvida Royal Society for Public Health (RSPH) em 2017, e realizada no Reino Unido com 1.500 jovens de 14 a 24 anos, o Instagram se mostrou a rede social mais nociva para a saúde mental, acentuando quadros depressivos e de ansiedade, e principalmente da FoMO.

Mesmo que não seja um passo fácil a ser dado, reduzir o tempo de uso das redes é preciso.

Deixar o celular de lado e tentar ocupar a mente com outras coisas nos momentos de lazer, como assistir filmes, ler livros, praticar algum esporte ou outros hobbies é um excelente modo de começar. Ter uma rotina organizada para não perder tanto tempo conectado e optar por técnicas de meditação para relaxar a mente e o corpo também são dicas preciosas, além é claro, de procurar ajuda de um psicólogo para receber o tratamento adequado, evitar se comparar tanto ao que vê no feed e caso ache necessário, até a exclusão de apps do celular é uma boa opção.

Independente de qual seja a escolha, o importante é sempre lembrar de duas coisas: que a vida de ninguém é perfeita e nada é mais importante do que a sua saúde mental, portanto, priorize-a.

 

Referências:

- Todos os GiFs utilizados nesse texto foram retirados do Pinterest.

https://www.consumidormoderno.com.br/2020/01/31/como-geracoes-z-y-assistem-videos/#:~:text=Mas%2C%20analisando%20as%20plataformas%20mais,as%20plataformas%20atrav%C3%A9s%20de%20smartphones.

https://news.booking.com/mulheres-da-geraco-z-so-mais-influenciadas-pelo-instagram-na-hora-de-planejar-uma-viagem/

https://www.techtudo.com.br/noticias/2017/05/o-que-e-fomo-fear-of-missing-out-revela-o-medo-de-ficar-por-fora-nas-redes-sociais.ghtml

https://www.techtudo.com.br/noticias/2017/05/instagram-e-o-pior-aplicativo-para-a-saude-mental-dos-jovens-diz-estudo.ghtml

https://www.youtube.com/watch?v=KQngCVC7iB0&t=1s


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