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A parte obscura do BBB que não te contaram (Análise sociocultural)

A parte obscura do BBB que não te contaram (Análise sociocultural)

Hoje eu estava matando o meu tempo no Twitter e comecei a ver a indignação coletiva das pessoas a respeito do que rola dentro da casa mais vigiada do Brasil. Bem, eu tenho 23 anos, não assisto BBB e me incomodo muito com o que o BBB é e o que ele representa. Portanto, convido você a refletir um pouco sobre o meu motivo.

Você já assistiu o filme “O Show de Truman”? É sem dúvidas um clássico do cinema dos anos 90 e muito provavelmente, o melhor filme do Jim Carrey. Mas caso você não tenha assistido, eu darei um rápida sinopse.

O filme conta a história de Truman, que parecia ser só mais um típico cidadão americano, vivendo a sua vida pacata, como todo cidadão de classe média. Porém, o que Truman não sabia, é que a vida dele era vigiada 24h por dia, transmitida para o mundo todo, desde o momento do seu nascimento e todas as pessoas que ele conviveu e conheceu, são atores. Aos poucos, Truman foi percebendo que a sua vida não era bem como ele esperava. Através de algumas falhas cometidas pelos atores e pela produção, ele foi entendendo aos poucos que a vida dele era uma grande fraude, até que ele consegue se rebelar e fugir daquela “prisão”.

Mas, o que esse filme tem a ver com o Big Brother Brasil? Reflita comigo.

Os telespectadores que assistiam diariamente a vida de Truman simplesmente viviam pelo show. Eles abriam mão de aproveitarem as suas vidas, perdiam horas diárias dos seus dias, eram emocionalmente dependentes do que acontecia no show e tudo isso em nome de um programa de entretenimento.

É chocante como os telespectadores do Show de Truman se parecem com os telespectadores do BBB, não?

Hoje, 01 de Fevereiro de 2021, eu vi pessoas brigando umas com as outras, sofrendo com gatilhos psicológicos e abrindo mão do seu precioso tempo (e de sua vida) em troca de um programa de entretenimento. E o que mais me assusta, é que essa não é a primeira vez (e nem será a última). Já estamos na 21ª temporada de Big Brother no Brasil.

Quando eu assisti “O Show de Truman” pela primeira vez, eu fiquei abismado como os telespectadores do programa reagiam, assim como eu fico abismado quando vejo as reações de quem assiste BBB. É no mínimo doentio. Não dá pra romantizar esse problema e usar as desculpas: “ah, eu vejo BBB para me fugir do caos que é a vida, com todo esse cenário de pandemia.”, “eu assisto para ficar por dentro do assunto da galera” ou “é a alienação que eu preciso.”

Não, amigo. Você não precisa dessa alienação. A vida tá aí pra ser vivida. Eu sei que ela é dura, sei que cada um carrega a sua cruz diária, mas, será que essa é a melhor válvula de escape para os seus problemas?

Os danos colaterais que programas como o BBB causam na sociedade são tão silenciosos quanto perigosos. Não tem como achar normal a ação de assistir 20 pessoas totalmente diferentes, trancadas por 3 meses em uma casa, vigiadas 24h por dia, expondo as suas vidas e você ainda ficar julgando o que cada um delas faz (ou pior, ficar xingando e cancelando elas no Twitter), enquanto está no conforto do seu sofá.

Para quem está lá dentro, até faz sentido participar. Seja pelo prêmio de R$1,5mi, seja pela alavancagem que terão nas suas carreiras, seja pela fama ou sei lá qual motivo seja. Eles têm um propósito para estarem lá. Mas e você? Tem algum propósito em perder o seu tempo assistindo?

Essa reflexão pode parecer uma loucura para você. Talvez você me ignore completamente e continue assistindo o BBB normalmente. Se esse texto não serviu para você, tudo bem. A tua cabeça é teu guia. Mas, eu gostaria de deixar uma última reflexão antes de encerrar o texto.

Você percebeu o quanto “O Show de Truman” se parece com o BBB, certo? Então, me responda. A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

 

Obrigado pelo seu tempo.

 

 

Comunidade do Estágio
Will Stellet
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Estudante de Marketing, empreendedor e produtor de conteúdo nas horas vagas. Sou um apaixonado pela tecnologia, por business, empreendedorismo e por fazer a diferença na vida das pessoas. Os meus textos dizem muito sobre quem eu realmente sou.

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