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Uma mulher progressista em uma sociedade machista. Você já assistiu “Radioactive”?

Uma mulher progressista em uma sociedade machista. Você já assistiu “Radioactive”?

Sabe quem foi a primeira mulher a receber um Nobel? Um, não, dois! Foi em 1903, a cientista polonesa Marie (Skłodowska) Curie, estudiosa na Universidade de Paris.

A fisio-química nasceu em 1867 na Polônia e ganhou o prêmio em áreas de conhecimento distintas. 

Se você não a conhece, provavelmente conhece uma das suas descobertas mais emblemáticas: a radioatividade.

Desde jovem a polonesa tinha certeza de que queria se dedicar a ciência. Os pais de Marie tiveram um papel importante em sua educação e isso é um detalhe que fica de fora do filme da Netflix por uma questão cronológica do roteiro. Os dois eram professores e ensinavam ciências aos três filhos. Marie Curie se formou no ensino médio aos 15 anos. 

Não foram poucos os esforços para se libertar das expectativas sociais e conseguir os recursos necessários à sua dedicação à pesquisa. Marie teve uma vida marcada pela discriminação por ser mulher e ainda mais por ser uma cientista. Aos 24 anos, em 1981, ela seguiu a irmã mais velha para estudar em Paris, onde desenvolveu pesquisas que, posteriormente, se tornaram famosas. Seus estudos foram em torno da radioatividade, termo criado por ela mesma, após descobrir dois elementos químicos: o polônio e o rádio. Marie precisou ir para a França porque a Universidade de Varsóvia não aceitava mulheres.

                ⚠️ ATENÇÃO: A partir deste momento, o texto apresenta spoilers. ⚠️

O filme  “Radioactive” começa com Marie já adulta, mas ainda solteira. Uma cientista encontrando dificuldades para conseguir apoio e financiamento para suas pesquisas por ser mulher. 

Nele aborda diversos acontecimentos que marcaram a vida de Curie: a descoberta da radioatividade, seu casamento com o cientista Pierre Currie, sua relação com as filhas (uma delas, Irene, é interpretada por Anya Taylor-Joy) e os desafios de uma mulher progressista em uma sociedade machista.

O cenário do longa é o final do século XIX, entre os anos 1891 e 1906, quando a ciência conhecia um fenômeno que seria usado tanto na produção de bombas atômicas, quanto na cura do câncer. É essa dualidade que é retratada com força no roteiro, mostrando uma Marie Curie como uma das pouquíssimas estudantes mulheres da universidade na época. Poucos acreditavam em sua pesquisa. 

Apesar dos obstáculos, Marie Curie nunca se deixou definir pela sua dor. “Radioactive”, inclusive, a retrata em diversos momentos como uma mulher centrada em seu trabalho, por vezes taxada de egoísta. Para Marie, no entanto, a ciência era sua vida. E dedicou-se tanto a ela, que até mesmo o relacionamento com sua família parecia deixado de lado – algo que sempre parece pesar mais para as mulheres que para os homens.

Ainda na experiência de ser mulher, o filme mostra, por exemplo, o apoio de outras mulheres a Curie, na relevância de seu reconhecimento também para todas as mulheres. Também traz uma frase que soa estranha, mas que pode fazer sentido por outra ótica. Marie Curie diz a sua filha Irene, em um momento, que sofreu mais pela falta de recursos do que por ser mulher. Contudo, pode-se interpretar que a falta de recursos, na maior parte de sua vida, se deu pelo fato de ser mulher. Afinal, nascer mulher nunca foi sinônimo de incapacidade.

Houve um fato retratado no roteiro, conforme realmente aconteceu, que a Real Academia Sueca de Ciências não havia planejado homenagear Marie com o Prêmio Nobel

No lado afetivo, ao conhecer Pierre Curie, surpreende-se por já conhecerem o trabalho mútuo e, mesmo com certa desconfiança inicial, se sente lisonjeada pela atenção e por como Pierre enxerga o potencial de seu trabalho, bem como dispõe-se a ajudá-la.

Aliás, o trabalho conjunto acaba levando ao relacionamento dos dois, que resulta no casamento e, posteriormente, em duas filhas.

O casamento de Marie e Curie é retratado como uma grande parceria, no trabalho e na vida, mas não está livre de problemas. O filme conta, de forma episódica, os acontecimentos da união com Pierre Curie, interpretado por Sam Riley, e, em seguida, os acontecimentos posteriores à morte dele. Um dos pontos do roteiro relatados com fidelidade à vida de Marie é que ela, certo momento, precisava de um local mais amplo para trabalhar. Foi assim que começou a dividir o laboratório com Pierre, conforme eles se aproximavam. 

Na área da pesquisa, o sucesso veio com a Teoria da Radioatividade (daí o Radioactive do título, termo, aliás, criado por ela), assim como a descoberta de 2 elementos químicos: o Polônio (nomeado em homenagem a sua terra natal, a Polônia) e o Rádio.

  • Efeitos da Radiação

Infelizmente, os efeitos nocivos da radiação só seriam descobertos depois, aos poucos, com a observação de casos que iam surgindo. Lidar com elementos radioativos sem precauções cobraria seu preço.

No filme, Marie Curie dormia com uma ampola contendo material radioativo florescente na mão. Curiosamente, Pierre foi quem apresentou os primeiros sintomas e adoecer devido a exposição sem segurança a radioatividade. 

Depois disso, Marie é retratada como alguém sem rumo, mesmo passando a ocupar o seu lugar como professora de Física Geral na Faculdade de Ciências, sendo a primeira mulher a ocupar este cargo.

E a história segue, mostrando um relacionamento temporário com um colega cientista, o que a fez enfrentar de frente a execração da sociedade, a continuidade de seu trabalho até chegar a sua atuação na 1ª Guerra Mundial, quando, a pedido de sua filha já adulta e também pesquisadora (e futura ganhadora também de um Nobel com seu marido), desenvolveu e operou unidades móveis de radiografia.

Outras matérias contam que uma informação que ficou de fora foi o fato de que Marie, durante a Primeira Guerra Mundial, desenvolveu unidades de radiografia móvel para fornecer serviços de raio-X a hospitais de campanha.

Posteriormente, ela fundou o Instituto Curie, em Paris, e sua contraparte em Varsóvia, que continuam sendo grandes centros de pesquisa médica.

A história tem um papel fundamental na construção de ideais. Afinal, o passado inspira. E é encantador ver o quanto nomes femininos têm aparecido no entretenimento nos últimos anos, ainda que estejamos longe da igualdade negada historicamente às mulheres. Por isso, obras como Radioactive” são importantes.

Além disso, vale também pela história do desenvolvimento científico mostrado, de forma que consegue prender a atenção daquele jeito que nos deixa com uma ligeira sensação de “já?” quando chega ao final. 

Então, aproveitem! 

Se assistirem, me deixem saber o que acharam ⬇️

Até a próxima!

referências: deliriumnerd, metroworldnews, ultraverso.

Comunidade do Estágio
Thaís Martins
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Graduanda em Gestão de Recursos Humanos e Colunista oficial da Comunidade do Estágio. ____________________________________ 📩 thaiss-martins@hotmail.com LinkedIn: Thaís Martins

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