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Tecnologia: sua melhor aliada ou sua pior inimiga?

Tecnologia: sua melhor aliada ou sua pior inimiga?

Que a tecnologia transformou nosso mundo não é mais novidade. Muitas coisas que fazemos hoje não seriam possíveis sem a tecnologia e a internet. E hoje em dia pra maioria das pessoas é inimaginável viver sem smartphone e todas suas facilidades.

Em média, as pessoas passam mais de quatro horas por dia no smartphone e um período semelhante assistindo a programas de TV, a distração é literalmente um trabalho de tempo integral.

Pensando que a maioria de nós, universitários e universitárias, estuda em tempo integral ou trabalha durante o dia e vai para a universidade a noite, imagina ainda gastar 8 horas do seu dia no smartphone e na televisão?

Ok, programas de televisão talvez a nossa geração não assista mais tanto assim (eu, particularmente, devo passar no máximo 1h por semana na televisão e ainda sim passo várias semanas sem assisti-la), mas se trocarmos televisão por programas de streaming, a ideia se encaixa perfeitamente.

Essa é uma das estatísticas que Jake Knapp e John Zerastky, escritores do livro Make time, trazem em sua obra. O mais interessante é que Jake e John atuaram como desenvolvedores de aplicativos como o Gmail, Youtube e Hangouts.

Ou seja, os caras literalmente participaram do desenvolvimento de alguns dos maiores serviços que a gente gasta um montão do nosso tempo e agora estão trazendo reflexões sobre isso?? Parece bizarro e incoerente, mas achei curioso e fui mais afundo.

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No livro, Jake e John trazem uma ideia de que não precisamos parar de utilizar a tecnologia e todos os benefícios que elas oferecem (até porque eles são amantes da tecnologia) para ganhar tempo.

Com o intuito de "criar tempo" para fazer as coisas que realmente importam pra você (e não necessariamente pra fazer mais coisas no seu dia), eles trazem uma provocação para gerar reflexão e restabelecer a consciência do tempo que passamos nas chamadas "Piscinas Infinitas".

Piscinas infinitas são os aplicativos e outras fontes de conteúdo infinitamente renováveis.

Ou seja, todos os aplicativos que funciona quando a gente consegue utilizar apenas deslizando com o dedo ou no modo streaming, podemos considerar uma Piscina Infinita.

Scroll - Smartphone GIF - Smartphone Scroll Swipe GIFs

As Piscinas Infinitas, juntamente ao que Jake e John chamam de Bonde da Ocupação (aprofundarei esse tópico num próximo post), são super poderosas pois se tornaram nossos defaults. Ou seja, elas passaram a ser o padrão enraizado na nossa cultura e na nossa normalidade.

Default é a maneira como algo funciona quando você começa a usar, uma opção pré-selecionada.

 

Já estamos tão imersos nesse uso de aplicativos e seu acesso é tão prazeroso e facilitado ao estar na palma da nossa mão (literalmente) que a gente acaba usando tudo isso de forma inconsciente. Pra exemplificar isso, outra estatística mostrada pelos escritores é uma pesquisa feita pela empresa Dscout que revelou que tocamos no celular em média 2.617 vezes por dia.

 

2.617 toques no celular.

Por dia.

 

Eu fiquei chocada com esse número!

Quando pensamos nesses nossos hábitos inconscientes, queremos ir contra o padrão enraizado para realmente tomarmos o controle do nosso tempo, e pensamos que só precisamos ter motivação e disciplina.

Será que é suficiente?

The Fresh Prince Is Confused GIF - TheFreshPrinceOfBelAir WillSmith Thinking GIFs

 

Reconfigure o padrão

Mudanças não exigem uma tremenda autodisciplina, mas partem da reconfiguração do default.

Jake e John citam no livro que pode ser impossível a força de vontade ganhar a chave de braço com as Piscinas Infinitas. Afinal, elas foram criadas justamente para facilitar o acesso a todas as barreiras imagináveis, nos sugar e fazer passar a maior quantidade de tempo possível ali.

Para fugir desse mar profundo de informações e realizar o uso consciente da tecnologia, precisamos mudar os defaults.

 

Estabelecer novos padrões.
Recriar as barreiras.
Dificultar o acesso às facilidades.

 

Tirar o aplicativo do Facebook da sua tela inicial pode fazer com que abri-lo não seja mais tão simples.
Cancelar seu pacote de internet.
Não deixar com seu login automático e precisar colocar o email e senha em todas as entradas.

As mudanças podem ser das mais simples às mais drásticas: o que importa é experimentar mudar o default e refletir sobre o impacto dessa tecnologia no seu dia a dia.

Assim, com a mudança da nossa configuração principal, não estaremos totalmente dependentes da nossa força de vontade para realizar essas transformações. Afinal, a gente sabe as vezes não temos toda essa disposição pra ir contra a avalanche de informações.

 

Tecnologia: ferramenta ou distração?

A reflexão sobre como utilizamos a tecnologia é apenas um dos pontos trazidos no livro.

Jake e John elencam diversas táticas testadas por eles de como criar tempo, e nelas estão inclusas algumas que auxiliam na reconfiguração do default, mas por hoje, deixo a provocação:

Como você tem utilizado a tecnologia?

 

Você está usando a tecnologia de forma consciente como uma ferramenta a seu favor?
Ou está apenas reagindo de forma inconsciente ao que ela te impõe e se sente improdutivo frequentemente?

 

Me conta aqui nos comentários, vamos conversar sobre isso para detectar esses defaults enraizados e debater alternativas para reconfigurá-los.

Comunidade do Estágio
Julia Vizotto
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Colunista Oficial da Comunidade. Estudante de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia.

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