[ editar artigo]

Sobre Borboletas

Sobre Borboletas

 

“Você não percebeu que talvez, se a vida tinha alguma chance de ser feliz, não é quando nada acontecer, mas é já... Ou a felicidade está aqui ou não estará em nenhum outro lugar, porque a vida está aqui!”          

Clóvis de Barros Filho

 

Sempre gostei de borboletas.

 

Quando eu era pequena e me questionavam sobre qual animal eu gostaria de ser, sempre pensava nela. Me encantava ao ver seu pequeno casulo preso no canto da minha varanda, e aguardar ansiosamente por aquele desabrochar. Nunca entendi porque nunca a citavam diante desse questionamento.

 

Ela aparenta ser frágil e pequena, mas tem uma capacidade de voar tão alto e encantar qualquer um que esbarre com ela, marca presença com suas asas coloridas. Ouvi dizer até que talvez pode chegar a mil metros de altura, e está em todos os continentes com suas milhares de espécies.

 

Apreciava a metamorfose completa daquela pequena que em forma de lagarta se prendia por uma porção posterior do corpo por fios de sedas até virar uma borboleta adulta que encantava qualquer observador, de uma maneira que nem era possível crer que ela tinha passado por tudo aquilo, e mesmo que não tivesse uma vida tão longa, existia com intensidade.

 

Quando eu cresci entendi que aprendi muito com elas sobre a vida e que apesar do meu coração ansioso, não era simplesmente pelas borboletas que era apaixonada, mas sim pelos processos. A borboleta passava por um processo.

 

Nossa vida é um processo também, não é? Muitas vezes nosso coração imerso em ansiedade e pressa, não consegue encarar o processo, busca sempre algo que está externo, que está fora – o que ainda não se tem- em uma caça incessante pela felicidade. Quem aqui nunca se sentiu angustiado, em ritmo extremamente acelerado e repleto de ansiedade? Neste momento, acabamos deixando de perceber como é importante o processo de construção e nascimento de nossas pequenas revoluções.

 

Há alguns dias atrás me deparei com um vídeo do Professor Clóvis de Barros Filho, jornalista, professor e filósofo conceituado. Ele fez virar do avesso o jeito que eu estava encarando a vida naquele momento. Falava sobre a parábola do perseguidor de cenouras, mostrando que ao longo de nossa vida somos condicionados a sempre buscar aquilo que está faltando. 

 

 

Não se trata de ficar parado e não buscar se desenvolver, é imprescindível mover-se rumo aos nossos propósitos, buscar, planejar e executar, mas usar do processo para impulsionar, senão entramos em um processo de buscar sempre o que falta e quando conseguimos almejamos outras metas, fazendo com que o valor de todas as coisas esteja sempre fora delas. Se a felicidade está sempre fora, nós acabamos perdendo uma oportunidade de viver algo que NUNCA foi vivido e de conseguir realizar onde estamos o melhor que temos a fazer.

 

Cada instante da vida é uma oportunidade mágica, irrecuperável e virginal, absolutamente inédita e nunca antes viva. É esse momento que eu tenho para fazer nesse lugar o melhor que eu puder fazer. Eu tenho a chance de fazer aqui melhor do que ontem.                                                                     Clóvis de Barros Filho

 

Nossa busca profissional é assistida por muita ansiedade. Eu já me percebi com o coração apertado em relação aos meus objetivos profissionais e pessoais. A pressão social em relação à vida profissional tem iniciado muito cedo.

 

Para controlar essa turbulência separei algumas dicas que podem te ajudar:

 

1. Se conhecer, investir tempo em seu autoconhecimento para entender o que você realmente deseja buscar, quais são os seus propósitos, talentos e valores. Para que não seja levado apenas por exigências externas e internas, o que acarretará em decisões equivocadas.

 

2. Evitar comparações sociais que se posicionam como um perigo real. Por sermos bombardeados por informações de outras pessoas, acabamos nos frustrando e nos sentindo inseguros em nossa busca por melhoria. Ao nos comparamos, sofremos para alcançar algo que faz parte de outro processo, não do nosso. Devemos buscar sempre nos concentrar em nós mesmos, investindo em nossas habilidades técnicas e sociais.

 

3. Aproveitar o processo mais do que buscar apenas os resultados. Muitas vezes acabamos nos cobrando com tanta coisa que deixamos de lado o mais importante que é enjoy the journey.

 

Professor Clóvis tinha razão quando dizia que se a vida tem alguma chance de ser feliz, é já, aqui, agora, porque ou a felicidade está aqui, ou ela não estará em mais nenhum lugar, e se ela começar agora podemos desbrochar nossa essência.

 

Você pode estar na faculdade, realizando estágios, fazendo parte de projetos, grupos acadêmicos, aulas extracurriculares, mentorias, mas se não conseguir ver o processo, corre o risco de perder uma chance única. A sua vida e onde você está agora fazem parte de uma chance de conseguir ser o melhor, se doar e encontrar seus propósitos. Aproveitar o agora e ser feliz hoje é o que faz a vida ser uma vida que vale a pena ser vivida.

 

Você a cada segundo vai usar a vida para conseguir tirar de si mesmo a performance mais incrível, a performance mais perfeita que poderá ter a cada instante.                                      Clóvis de Barros Filho

 

Não perca a chance de aproveitar o que você tem hoje para desabrochar, porquê eu sei que tudo o que você tem vivido será para que possa encantar o mundo, assim como as borboletas me encantavam, e ainda encantam.

 

Quando olharem pra nós no futuro, nem conseguirão lembrar como as vezes os processos foram dolorosos de demorados né? Como não viam mais a lagarta, apenas a borboleta adulta. Mas nós, vamos carregar os processos, porque eles foram a chance que a vida nos proporcionou para sermos felizes e desabrocharmos, e eu espero nunca perder as cicatrizes dos processos.

 

E você? Está comigo nessa?

 

Aproveite seus processos, assim a felicidade tratará de lhe acompanhar.

 

 

Comunidade do Estágio
Patrícia Paula
Patrícia Paula Seguir

Colunista Oficial

Ler conteúdo completo
Indicados para você