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Quem somos nós na fila do pão?

Quem somos nós na fila do pão?

O título da minha primeira coluna aqui na Comunidade foi intencional e você vai ver que fará todo sentido com o conteúdo trazido aqui.

Recentemente em uma conversa com alguns amigos, eu levantei a pauta Feminismo e ouvi a seguinte pergunta de um deles: “mas, quem somos nós para falar sobre isso?”.
Contextualizando pra vocês, eu e meus amigos temos um canal no YouTube onde abordamos diversos assuntos, desde espiritualidade e filosofia até políticas sociais e o tema Feminismo surgiu como uma possibilidade para um debate.

Mas, frente a esse questionamento do meu amigo, eu pensei: “o que será que ele quer dizer com isso?”. Afinal, quem somos nós na fila do pão para falarmos sobre qualquer assunto?!

E aí eu trago uma reflexão um tanto provocativa: você que está lendo esse artigo, já debateu sobre qualquer assunto com seus amigos, familiares, etc? Você tem domínio sobre o assunto debatido? Digo em relação a ser especialista no assunto.
Talvez sim, mas muito provavelmente não.

E é esse o ponto. Nós somos indivíduos em uma sociedade e pelo fato de fazermos parte de uma coletividade, precisamos debater sobre todos os assuntos, independente de sermos especialistas ou não.
Por isso o racismo, a homofobia, sexismo, capacitismo e tantos outros preconceitos ainda são fortes na sociedade, porque não são debatidos por todos.

Em ressonância com isto, temos o que chamamos de lugar de fala, o que também é muito mal interpretado na maioria das vezes.
Todos os indivíduos possuem lugar de fala sobre qualquer pauta. Isso mesmo, QUALQUER PAUTA.
O que não possuímos é protagonismo em determinadas pautas. Por exemplo: eu sou uma mulher branca, porém, posso e devo falar sobre racismo, mas eu não tenho protagonismo no tema, pois não sou uma pessoa preta. Entendem?
Por eu não ter o protagonismo (aqui eu quero dizer que não sofro na pele as represálias que o racismo impõe às pessoas pretas), eu não devo falar sobre, por exemplo, como pessoas pretas se sentem frente ao racismo.
Mas, em contrapartida, devo falar como uma pessoa que presencia o racismo diariamente, que percebe as injustiças causadas por ele no meio. Percebem a diferença?

Isso se aplica a qualquer política social: feminismo, movimentos contra a lgbtqfobia, movimentos anticapacitismo e por aí vai.

Então, respondendo a pergunta título do artigo e, consequentemente, a pergunta do meu amigo, quem somos nós na fila do pão? Somos indivíduos que convivem em sociedade e devemos agir como tal, nos manifestando e debatendo sobre todas as questões políticas que nos envolvem direta ou indiretamente.

Enquanto não fizermos esse movimento, ainda haverão muitas dúvidas sobre movimentos e políticas sociais, muitas más interpretações sobre as pautas e é debatendo, conversando, que vamos aprendendo. 

Comunidade do Estágio
Vanessa Caruso
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Estudante de Gestão de Recursos Humanos - UniCarioca, a procura de estágio na área. Gosto de ler sobre Filosofia e movimentos sociais. Aspirante à Gestora de Carreiras. Luto por mais inclusão de PCDs no mercado de trabalho.

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