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Quem determina o que você é?

Quem determina o que você é?
Beatriz Carvalho
set. 22 - 4 min de leitura
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O que você considera ser? Negro, branco, caucasiano, indígena, ou afrodescendente? Como chegar nesta conclusão? Baseado-se no tom de pele, nos traços do rosto, do cabelo? Ou será que você precisa ver a origem dos seus pais? E quando seu pai é branco ou sua mãe é branca, mas o outro é negro, o que você é? Você escolhe? Quem escolhe por você?

Aparentemente, na sociedade em que vivemos, algumas coisas são impostas a nós. Quando uma criança nasce oriunda de duas famílias distintas, porém, consideravelmente iguais, esta criança é vista na sociedade como suficiente. Podendo ser branca o suficiente para ser considerada branca ou negra suficiente para ser  considerada negra. Mas o que acontece quando as famílias não são iguais quanto suas origens étnicas? Como classificar o mestiço?

Esta é uma pauta muito articulada nos tempos atuais, pois mexe com todas as estruturas sociais. Entretanto, se direcionarmos esse assunto apenas para uma estrutura, poderíamos falar sobre a educação do nosso país, precisamente o ensino superior.

É de senso comum que as cotas são uma tentativa de reparação. Segundo a Wikipédia, "As quotas raciais, termo oficial utilizado pelo governo brasileiro, também popularmente grafado cotas raciais, são as reservas de vagas em instituições públicas ou privadas para grupos específicos classificados por etnias, na maioria das vezes, negros e indígenas. Surgidas na Índia na década de 1930, as quotas raciais são consideradas, pelo conceito original, uma forma de ação afirmativa para reverter o racismo histórico contra determinadas castas ou etnias ou raças." Será que está implícito aqui ter que ser puramente negro ou puramente índio? Quem é puramente alguma coisa no Brasil?

O que acontece na prática é que, muitos filhos que descendem de negros, porém mestiços, utilizam-se dessa cota para ingressar na universidade. Será que é errado? Na tentativa de chegarmos a um entendimento sobre direitos e reparações, muitas vezes menosprezamos a origem do outro. Nos tempos atuais, temos uma militância negra que pauta vários questionamentos. Questões estas, necessárias de serem discutidas e analisadas, porém, ainda assim, é certo alguém dizer o que você é ou o que você deve ser, ou mesmo, a qual lugar pertence, por ser mestiço?

Há sempre aquele que fala: mas fulano não é negro! Ciclano tem o cabelo cacheado não crespo! Beltrano é mais puxado para o branco, com seu nariz fino, boca fina e pele clara. Alguém já se perguntou como pensa uma pessoa mestiça? Como é na casa desta? A relação com que a cultura negra foi dada a ela? E por que na sua vida adulta teríamos o direito de negá-la as origens? Essa pessoa também não é negra? 

Quem poderia responder essas perguntas senão o próprio mestiço de pele mais clara, cuja experiência o faz sofrer com essas questões?! Mesmo assim, sem ter direito sobre a vida do outro, julgamos, determinamos, analisamos.

A miscigenação dentro da cultura brasileira é algo oriundo do tempo escravista. Não há como revertermos ou negarmos nossas origens ou como foi constituída a sociedade brasileira, mesmo assim há aqueles que negam direitos de outros ao se colocarem no lugar de juiz ou de julgador. Isto ajuda alguém?

Longe de afirmar o posicionamento correto para ser seguido ou um jeito de lidar com a origem das pessoas, é proposto aqui olharmos para o outro lado, para aquelas pessoas que normalmente são classificadas por uma massa que de fato não as conhecem. Como basear o outro sob sua perspectiva?!

Como uma questão vívida na sociedade e muito complexa, pois gera opiniões, discussões e julgamentos, deixo aqui, poderíamos dizer, mais uma reflexão.

E como sempre, de quem é a culpa?

#aculpanãoédonegro. #aculpanãoédomestiço. #aculpanãonossa. #aculpanãoédouniversitário.

 


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