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Por que você existe?

Por que você existe?
Marilia Lazarin
jul. 15 - 4 min de leitura
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De acordo com o Dicionário Priberam Online, ateu é aquele que não crê na existência de deus. Sim, com letra minúscula. Eu sou ateia.


Não se assuste. Eu não danço com bruxas ou faço rituais demoníacos. Eu simplesmente não acredito que temos uma razão intrínseca na nossa existência. Mas o que é uma razão intrínseca? Bom, é aquela que subjaz à própria razão de ser. Por exemplo, se eu acredito que algum deus (ou força/energia maior) nos criou, provavelmente também acredito que existimos por esse motivo. Porém, se eu não acredito que estou aqui e agora escrevendo esse texto porque fui criada de alguma forma e em algum tempo, então, você pode se perguntar, de onde esta louca acha que veio?


Bom, eu não vim de nenhum lugar. Ou melhor, pertenço a uma linhagem não teleológica de seres vivos. Estou falando de evolução biológica. A teleologia se refere a tudo aquilo que possui um fim, um objetivo. No caso da evolução, que significa simplesmente mudanças ao longo do tempo, estas não possuem uma finalidade. De acordo com as mais atuais perspectivas sobre o tema, os seres vivos, que surgiram há cerca de 4 bilhões de anos, se modificaram aleatoriamente, de acordo com mutações genéticas, mudanças ambientais e características desenvolvidas. Como diria Stephen J. Gould, que foi um famoso biólogo, “se pudéssemos realizar um experimento de ‘rebobinar a fita da vida’ para o tempo do Cambriano, e ‘distribuir os bilhetes de loteria’ aleatoriamente uma segunda vez, a história dos animais seguiria um curso totalmente diferente que quase certamente não geraria a criatura humanoide com inteligência e autoconsciência”.


Se levarmos em consideração o que disse o autor, certamente a visão de que há um criador está muitas vezes está ligada à nossa autopercepção como “seres mais evoluídos”. Na biologia, esse termo não existe (ou não deveria existir). Isso porque todas as criaturas vivas que hoje existem compartilham do mesmo tempo de evolução e se modificaram às mesmas custas.


As informações que acabei de fornecer, para mim, vão radicalmente de encontro às mais populares concepções de criação divina. “À sua imagem e semelhança” nos fez deus, diz a Bíblia. Assim, necessariamente, somos especiais na conjuntura religiosa. E, para a evolução, não somos nada além de um arremedo biológico.


Acredito que estas palavras podem incitar algo profundo dentro das pessoas: o fato de que simplesmente existimos sem um porquê. Ponto. Aqui, nos deparamos com uma outra percepção igualmente desafiadora: se não existimos com um porquê, então, por que existimos?


Desilusão, descrença e até desconfiança podem surgir neste ponto. Mas, para mim, é aqui que nasce uma das mais belas reflexões que acredito serem possíveis. É o fato inexorável de que eu mesma faço o meu porquê. E você também. Por que você existe? Qual é a sua finalidade? Tente responder sinceramente a estas perguntas. Não se justifique dizendo que está aqui no mundo por forças maiores, sejam elas quais forem. Mesmo que acredite, por favor, esqueça isso só por um segundo. Você por você mesmo. Seja sincero consigo.


Essa reflexão tem me auxiliado muito na busca por propósito. Eu luto arduamente contra a vida em busca dele. Não o encontrei no trabalho, nos relacionamentos, nem mesmo em mim. Até que eu finalmente entendi que ele não existe por si só. Ele deve ser criado.


A criação, nesse sentido, é maravilhosa. É talvez o que Sartre chamou de liberdade. Somos livres para sermos o que desejarmos, para imbuirmos nossa vida do propósito que quisermos. Isso pode gerar desconforto, angústia, até mesmo ansiedade. Não é fácil ser livre. Isso requer responsabilidade total sobre o que escolhemos.


Não compartilharei o meu porquê, pois ele é só meu e de mais ninguém e não quero ser uma influência. Meu intuito neste texto é ajudar as pessoas a encontrarem o delas, você a encontrar o seu.


Então, finalizo com um pedido: reflita. Pense sobre o que você é independente de tudo. Pense sobre o que você quer ser despido de crenças, valores, relacionamentos e trabalho. Então, terá o mais puro e o mais honesto dos porquês. E aí, por que você existe?


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