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Por que o "novo normal" é uma fake news?

Por que o "novo normal" é uma fake news?
Vinícius Brum
ago. 27 - 5 min de leitura
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Calma, vamos entender isso (rs).

O que mais temos ouvido/visto após o mês de março/2020, é a expressão sobre o "novo normal". Na concepção de muitos teóricos pós-modernos, o novo normal seria essa nova adaptação das atividades que antes pareciam cotidiana e agora estão sendo obrigadas a rodarem de forma remota. Esse então, seria apenas um dos fatores para se compreender essa nova normalidade.

Vale entender que desde a descoberta do fogo pelo homem, vivemos, portanto, em constantes adaptações, e sendo assim com elas, grandes transformações.

Vamos nos lembrar por exemplo, que em 1947 o forno micro-ondas foi inventado e considerado uma grande inovação para a época, mas esse produto se popularizou por aqui no Brasil apenas no início da década de 1990.

Segundo Bruno Lazaretti (2018), em 1945 o americano Percy Spencer, começou a reparar que radares de emissão de ondas eletromagnéticas com comprimento curto (ou seja, as micro-ondas), criadas pelos ingleses John Turton Randall e Harry Boot em 1940, seriam capazes de muito mais do que eles imaginavam.

Spencer (1945), começou a perceber que era possível através dessas micro-ondas eletromagnética, esquentar/derreter o chocolate. Sendo assim, seria possível então utilizar a invenção dos ingleses (o Magnetron), para cozinhar.  Logo a empresa Raytheon patenteou a tecnologia.

Depois de várias repaginadas entre os anos de 1947 e 1955, chega ao consumidor final em 1967 a versão portátil do micro-ondas, o conhecido Radarange. Já em 1976 lançado pela Amana, surge então o modelo programável eletronicamente. Em uma época mais próxima, em 2012, a gigante Panasonic passou a controlar a potência das ondas e nos apresentou os atuais modelos de micro-ondas que conhecemos hoje.

Photo: Getty Images - modelo Radarange, 1967.

Escolhi te mostrar essa breve linha do tempo nessa tão popular invenção, para mostrar algo surpreendente: nada mudou!

  • Daí você me pergunta, não mudou? Que absurdo! Você enlouqueceu! Calma, vou te explicar algo.

Edmar Bulla (2020), escrevendo para a Isto É Dinheiro, defende que cozinhamos há 1,9 milhão de anos. Logo as ações como assar, fritar ou usar o micro-ondas não mudam hábitos e nem necessidades.

Vejamos, a invenção do micro-ondas não refundou, portanto, o atual sistema de recompensa cerebral. Esse sistema que você e eu temos, funciona através de gatilhos de utilidade, ou de sobrevivência e até mesmo de adaptação. Logo, nós não somos mais novos ou, não podemos considerar como “mais normais” por usá-los.

Citando Zygmunt Bauman, o filósofo polonês, vivemos em um mundo liquido, com relações liquidas. Essa liquidez humana, faz com que tudo se transforme rapidamente e de uma forma extremamente individualista. Se levarmos para as questões filosóficas definir ‘novo’ e ‘normal’ é dar razão as fantasias morais.

O que temos hoje é um total descaso as verdadeiras causas, a empatia nos relacionamentos, o ódio disparado nas redes sociais e a constante negação as constatações cientificas.

Quando uma sociedade demonstra precisar de um “novo normal”, ela então demonstra sentir a necessidade de algo que ela ainda não sabe o que é. A hipocrisia então permanece como normalidade nesse “novo normal”, pois queremos abraços e relações de afeto, mas não conseguimos ser tolerantes as diferenças para com o próximo.

Foi a partir do isolamento, ora obrigatório, é que mentes perversas começaram a trabalhar com ainda mais força em discursos de alto teor destrutivo, e de narrativas perigosas.

Com isso nascem também as polarizações, as discussões fundamentalistas e os discursos de ódio.

Entretanto, o isolamento não é capaz de criar um novo normal, no sentido de recriar necessidades humanas ou um novo consumidor ou ainda um novo “marketing”, enfim, uma nova coisa qualquer. Ainda usando exemplos inovadores, as invenções como iPad e o aparelho de DVD, foram tidas como revolucionárias, mas não inviabilizou o uso da humanidade em utilizar sapatos para calçar os seus pés. Para nós, humanos, utilizar calçados é uma necessidade de proteção, cuidado e segurança. iPad e DVD foram substituídos pelos streaming's, a necessidade humana pelo entretenimento é a mesma, o que foi adaptado então é a forma como sanamos essa necessidade, logo, nada novo, apenas inovador.

  • Com essa discussão rápida, deixo uma breve reflexão: somos seres que se utilizam dos neurônios para o bem ou para o mal, afinal de contas eles estão aí, ao nosso favor.

O que vale ressaltar, portanto, é que parte do nosso cérebro é então, responsável pelos hábitos e que fica separada daquela outra parte em que nós guardamos a nossa memória. Pensando assim, neurologicamente falando, a memória é diferente de hábito, e filosoficamente falando (infelizmente) temos a memória curta.

Abraços do Brum!

Seu mentor :)


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Vinícius Brum

Administrador, Docente, Mentor e Educador Social., Instituto Ser +

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