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"Pequenos Incêndios Por Toda Parte" e as Relações Interpessoais

 

Recentemente concluí a leitura de “Pequenos Incêndios Por Toda Parte”, aclamado romance de Celeste Ng, que inclusive já tem uma adaptação cinematográfica disponível na plataforma da Amazon, o Prime Video.

 

Obra literária sutil. Demonstra  as várias facetas do ser humano numa mesma situação- todos somos mutáveis e seletivos. A partir  dessa experiência, fiz acréscimos ao meu cotidiano e ,quem sabe, você os faça também.

 

1. Nenhum Talento Se Sustenta Sem Estudo e Esforço!

 

Em um determinado momento da trama somos apresentados ao passado de Mia, cujos trabalhos são considerados, pela maioria, nada convencionais. A autora nos mostra que, apesar de Mia produzir fotografias que nem todo mundo compreende, há toda uma história de perseverança e trabalho duro por trás. Com seus pais não concordando com o sua escolha profissional, Mia é inserida em um cenário inóspito: pouco dinheiro, praticamente nenhum amigo ou família, em uma faculdade longe tanto física quanto emocionalmente de tudo que um dia já conheceu. 

 

Diante dessa situação, a personagem tinha duas opções: se lamentar e não fazer nada a respeito, ou tirar o melhor proveito desse panorama, apesar das limitações. Algo que eu gostaria de ressaltar: escolhendo qualquer uma das opções, um fator não se alteraria no cerne de sua personalidade, o talento. Optando por qualquer uma das alternativas, o talento da personagem não ia simplesmente se esvair do seu ser para o além, muito pelo contrário, ele se manteria intacto. O que alteraria, dependendo de qual caminho Mia seguisse, seriam as oportunidades, ou a falta delas, para explorar o seu potencial, e, consequentemente, aproveitá-lo ao máximo.

 

Por fim, a opção escolhida foi a última, e Mia deu o seu melhor na faculdade, e quando pôde desfrutar da aula que mais ansiava, a de fotografia, conheceu a pessoa que ampliaria seus horizontes: Pauline Hawthorne, uma artista mundialmente reconhecida pelos seus trabalhos fotográficos. Com  a sua presença, Mia começou a compreender e renomear com termos mais técnicos o que antes só considerava ser uma intuição. Devido a essa oportunidade, a protagonista foi capaz de aprimorar seu trabalho através de muita técnica e estudo, o que, ironicamente, não corresponderia a sucesso financeiro. Mia nunca possuiu uma conta bancária exorbitante, ou muitos bens materiais de valor, sua felicidade estava na arte que produzia. No final, você tem que estar em paz consigo mesmo e com o que produz, sempre estudando para se aprimorar. Acreditar no seu potencial.

 

2. O Que Fazer Com a Nossa Pequena Chama Interior?

 

A autora cita, inúmeras vezes, a metáfora do fogo, da pequena faísca que reside em cada um de nós, podendo ser externalizada por atitudes incomuns, ou reprimida através da acomodação. Na trama há duas personagens que exemplificam isso de maneira ímpar: Elena e Izzy Richardson. Elena é a matriarca da família, cuja carreira jornalística segue em águas sempre rasas, enquanto Izzy é a filha "problemática" que exprime sua insatisfação em atos vistos como sem sentido. Diante disso podemos nos perguntar: O que elas têm em comum?

 

As duas apresentam uma mesma motivação, porém as expressam de maneiras distintas, pelo menos até determinado momento. Elena, ao se deparar com um mistério digno de primeira capa, é tomada por um propósito que há muito não sentia, uma chama que vai crescendo exponencialmente, até se tornar incontrolável e ela descobrir tudo a respeito do caso, e até um pouco mais. Izzy, por outro lado, já possui uma personalidade combativa, e a expressa da mesma forma, porém, não é sem fundamento como todos pensam. Tudo que faz tem um propósito e motivações claros, mas, por muitas vezes, ninguém a leva a sério, por utilizar de meios violentos para estabelecer seu ponto.

 

O que eu quero dizer com tudo isso? Que todos nós, assim como Elena e Izzy Richardson, temos uma ambição que podemos tanto guardar dentro de nós e nunca usufruir, seguindo, assim, um caminho mais seguro, quanto explorá-la, mas não ter o cuidado de fazê-lo da maneira correta, utilizando a famosa frase: “Os fins justificam os meios”. Tudo depende do objetivo que você quer atingir, sempre lembrando que manter o equilíbrio é essencial, e que seus pontos têm que ser bem claros e estabelecidos através de um diálogo franco. Nenhum dos extremos é favorável na constituição de uma carreira profissional saudável.

 

3. Vale a Pena Esconder Seus Pontos Negativos?

 

Nesse livro todo mundo, ou quase, esconde suas segundas intenções. Elena, por exemplo, é uma pessoa gentil com todos, mas que adora cobrar favores baseados nessa gentileza. Aposto que você conhece ou convive com uma Elena Richardson da vida, e sabe o quanto pode ser caro e desafiador. 

 

 Assim como acontece no livro, após tudo vir a tona e todos serem obrigados a encarar a pior versão de si mesmos, não ser sincero com aqueles da família e trabalho, é extremamente danoso para o seu relacionamento com os envolvidos.

 

Desonestos, somos injustos com os outros.  A questão é: Vale a pena? Fugir das responsabilidades? Não ser transparente quanto aos compromissos que assumimos? Utilizar artifícios questionáveis dependendo da finalidade? 



 

Outros pontos poderiam ser destacados, mas aí o texto, que já não está exatamente curto, vai se tornar incrivelmente extenso. O livro “Pequenos Incêndios por Toda Parte” é incrível, não só pela história ser instigante e as personagens bem construídos, mas também por nos fazer refletir.

#ColunistaOficialAU

 

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