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O trabalho remoto não vai voltar para dentro do “dentifrício”

O trabalho remoto não vai voltar para dentro do “dentifrício”
Renan Müller
set. 30 - 4 min de leitura
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O título refere-se a uma das pérolas de nossa ex-presidente Dilma Rousseff, “depois que a pasta de dentes sai do dentifrício ela, dificilmente, volta para dentro do dentifrício” (vídeo) reflete bem a situação atual, em minha opinião as mudanças sociais causadas pela pandemia irão permanecer em nossas vidas em diferentes graus, mas com impactos irremediáveis. Não gosto muito do termo que vem sendo largamente utilizado, “novo normal”, mas ele passa bem o sentido do que estamos e iremos presenciar.

Achei interessante a relação feita pela Maria Schirato neste artigo, que ao morar em países com neve relata a necessidade de um kit específico, composto por gorro, cachecol, luva, bota, capote e lenço de papel. Ter que levá-lo para todo canto e somado ao frio, a qual nós brasileiros não estamos acostumados, de acordo com ela, dá trabalho e causa estranheza por um período, mas que hora ou outra, acaba sendo incorporado à vida cotidiana e vira a normalidade neste novo contexto.

Assim como em meu estágio, em que o trabalho remoto era desencorajado, muitas empresas não o permitiam que fosse feito regularmente ou o coibiam por completo. Hoje, dada a necessidade de distanciamento social, essa forma de trabalho, que gradualmente já vinha ganhando espaço, conseguiu provar que pode dar certo, mesmo sendo adotada inesperadamente e sem preparação prévia.

As consequências dessa nova realidade já estão aparecendo, especialistas já dizem que o aluguel de salas de escritórios devem cair nas grandes cidades pela redução de espaço necessário. Cerca de 94% das empresas brasileiras afirmam que atingiram ou superaram suas expectativas de resultados com o home office, mas que 70% planejam encerrar a prática ou reduzi-la a apenas 25% dos funcionários quando a pandemia de Covid-19 tiver terminado. Número parcialmente explicado pelos riscos trabalhistas gerados, problema que deve ser resolvido logo, através de leis que tratem especificamente desse tema e que gerarão maior segurança jurídica.

Mesmo não sendo mantido na mesma proporção no pós quarentena, segundo André Miceli, coordenador do MBA em Marketing e Inteligência de Negócios Digitais da FGV, a pandemia do coronavírus deve aumentar em 30% o trabalho no formato home office e suas variantes. De acordo com os dados Pnad Covid-19 do IBGE atualmente é as regiões mais ricas com maior adoção do trabalho a distância e para trabalhos que requerem maior nível de instrução.

Expandindo um pouco mais as consequências dessa desterritorialização do trabalho, agora que as empresas perceberam que várias funções são possíveis de serem executadas normalmente sem o funcionário estar presente fisicamente, a concorrência por emprego deixará de ser local e/ou nacional e passará ser cada vez mais global. Se por um lado poderemos pleitear vagas no exterior o contrário também ocorrerá.

Teremos que esperar os próximos capítulos para que possamos compreender como essa nova dinâmica de trabalho e geografia irá se desenhar, mas acredito que começaremos a ver os cargos que exigem maior qualificação e consequentemente maior remuneração a serem concorridos e ocupados por indianos, chineses e sul coreanos, que hoje são os países que mais fornecem mão-de-obra qualificada para os EUA.

A partir de agora teremos que nos qualificar e adotarmos como parâmetro o que há de mais avançado no mundo se quisermos concorrer de igual para igual pelas melhores vagas de emprego em nosso país. O mercado profissional precisa correr para estar competitivo com esses novos atores que começarão a entrar rapidamente pelos meios digitais, realidade que só não aconteceu antes pela rigidez das empresas brasileiras, barreiras estas que estão caindo durante a pandemia.


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