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Ler é coisa de rico?

Ler é coisa de rico?

Você que lê. Você que estuda. Você que é um leitor assíduo. Você que tem um sonho de ter uma mini biblioteca na sua casa. Você que tem um wishlist enorme na Amazon. Você que espera as promoções incríveis da Black Friday. Você que é de baixa/ média renda.  Você que tem dificuldade de comprar livros. Porque sim, livro é um produto caro, principalmente se comparada à renda média do trabalhador brasileiro. 

O mercado de livros é isento de taxação de imposto desde a década de 40 e tal imunidade está na constituição de 1988. Porém ainda era possível cobrar a Contribuição Social. Somente em 2004, foi assinada uma lei em que esse setor tornou-se isento dessa contribuição, gerando uma queda do valor dos livros em 30%. Por que isso acontece? Eu te explico caro companheiro, o livro não é reconhecido como um commodities, mas sim como um bem cultural.

Porém está sendo discutida a reforma do Sistema Tributário no Brasil, do ministro da economia Paulo Guedes, e uma das propostas é voltar a ter essa cobrança, agora com o nome CBS, com taxação para esse setor em 12%.

Sabe o que mais incomoda? A justificativa de que o livro já é um produto elitista então não faz diferença para a grande massa se o valor aumentar. De onde essa mente brilhante tirou isso? Seguindo tal lógica o mais assertivo seria subsidiar os livros e torná-lo mais acessíveis as camadas menos favorecidas. Mas não: vamos aumentar o preço e diminuir cada vez mais o acesso da população a cultura. PA-RA-BÉNS!

Elevar o valor dos livros, vai sim acumular certa quantia em curto prazo, porém é imensurável o crescimento do tamanho do abismo entre quem tem maior poder aquisitivo e quem não tem. Principalmente em um país como o Brasil, com diversos problemas educacionais, com altos níveis de diferenças socioeconômicas. É assassinar o acesso a cultura.

Outra questão, editora não é igreja. Não é porque não pode cobrar imposto sobre o livro que não se pode cobrar de quem faz o livro. A crise no mercado editorial já vem acontecendo há algum tempo. Só para vocês terem uma ideia a Livraria Cultura e a Saraiva (as maiores redes de distribuição de livros do Brasil) acumulam dívidas astronômicas e enfrentam questões jurídicas. Vamos pensar rápido, se as maiores do mercado estão com problemas, o que será das pequenas editoras?

Mas o que nós “reles mortais” podemos fazer? Colocar PRESSÃO. Pressionar influenciadores para dar voz a esse tema. Disseminar o que está acontecendo.  Demonstrar a nossa insatisfação pelo descaso dos governantes que com o pretexto de diminuir os gastos e aumentar a verba querem cobrar taxas. Por que não taxar as grandes fortunas, os iates, helicópteros? Ficam os questionamentos.

Comunidade do Estágio
MaJu Deolindo
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Olá, meu nome é Maria Julia, tenho 22 anos sou estudante de economia e uma leitora assídua.

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