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Ingrid vai para o Oeste: redes sociais, relações líquidas e o efeito nocivo da comparação

Ingrid vai para o Oeste: redes sociais, relações líquidas e o efeito nocivo da comparação
Mariana Fekete Oshima
out. 18 - 3 min de leitura
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Você se considera protagonista da sua vida? E se, por ironia do destino - ou certa imposição das redes sociais - você de uma hora para a outra, deixasse o controle dos seus gostos, suas roupas e até sua autoestima nas mãos de outra pessoa? 

Esse poderia ser facilmente o enredo de um bom episódio de Black Mirror ou a descrição de qualquer avatar, presente em qualquer jogo virtual. No entanto, essa história serve como pano de fundo de Ingrid Vai Para o Oeste (2017). 

Após perder a mãe para uma doença terminal, a jovem obsessiva Ingrid Thorburn passa algum tempo em uma clínica de reabilitação, e ao sair, sentindo-se solitária, decide se mudar para a Califórnia, onde começa a seguir os passos de Taylor Sloane, fotógrafa e aspirante a digital influencer que aparentemente tem a “vida perfeita”.

Com um tom misturando drama e uma espécie de humor sarcástico, o filme mostra como a vida exposta nas redes sociais e o falso senso de perfeição causado por elas, pode levar alguém até as últimas consequências. 

Esperando ser notada a qualquer custo, Ingrid é capaz de tudo, desde copiar o estilo de Taylor e frequentar os mesmos lugares que ela, até forjar uma vida ilusória, somente para que a subcelebridade a aceite em seu círculo de amigos.

Apesar da postura, típica de um stalker, adotada pela protagonista desde o princípio, pode-se dizer que os papéis de mocinha e vilã se alternam de tempos e tempos entre Ingrid e Taylor, deixando claro que nenhuma das duas é o que parece (aliás, nenhum personagem aqui é o que aparenta), o que só deixa o filme ainda mais interessante.

Destaque para a atuação de Aubrey Plaza na pele de Ingrid, que consegue nos cativar em todas as camadas de sua personagem, da mais frágil à mais selvagem em questão de minutos. 

Ainda há uma crítica feroz à liquidez das relações, provocada justamente pelas redes sociais, que ao mesmo tempo em que aproximam, paradoxalmente distanciam as pessoas, criando uma competição silenciosa por atenção e seguidores e gerando uma supervalorização de likes, o que pode trazer popularidade, mas cobra um preço alto demais ao afrouxar laços e causar  dependência de algo tão superficial. 

No mais, Ingrid vai para o Oeste é o tipo de filme que deve ser assistido, (re) assistido e debatido, pois ao que tudo indica,  as questões levantadas por ele permanecerão ainda por um bom tempo. Disponível na Netflix.

Referências:

- Todas as imagens utilizadas nesse texto foram retiradas do Pinterest.


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