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Inclusão Digital em tempos de Covid-19

Inclusão Digital em tempos de Covid-19

Nos últimos anos, o acesso à internet deixou de ser um benefício de economias desenvolvidas para se tornar um direito básico, como fornecimento de água limpa e luz. O distanciamento social decorrente da pandemia de coronavírus, por sua vez, acentuou a relação das pessoas com a internet para fins profissionais, sociais, assistenciais, econômicos e comerciais.  No atual contexto da pandemia, a inclusão digital é imprescindível para a prevenção e informação contra o vírus, o acesso a benefícios sociais, as relações de teletrabalho, os atendimentos remotos em serviços públicos, o empreendedorismo digital, a nova economia de plataformas digitais etc. Aliás, o processo de inclusão digital deve ser acelerado não somente para esta crise atual, mas também na pós-pandemia, permitindo a eficiência dos serviços públicos, além do acesso dos desfavorecidos ao mercado de trabalho e empreendedorismo digitais.

 

Estes, por sua vez, são essenciais para a recuperação econômica, reduzindo drasticamente os custos operacionais, gerando postos de trabalho e canalizando o consumo eficiente na economia sob demanda de milhões de usuários da internet. O Estado deve, portanto, desenvolver políticas concretas e eficazes de inclusão digital como consectária lógica do acesso à internet, incluindo parcerias com o setor privado, para tornar a internet amplamente disponível a todos os segmentos sociais, tais como os programas de capacitação mínima para uso da internet; a devida orientação aos usuários de serviços públicos nos canais remotos; o acesso gratuito de computadores em locais públicos e Wi-Fi; o fomento às plataformas digitais como uma nova tendência social; e a formação de microempreendedores digitais por meio do Sistema “S”.
 

O acesso ao Auxílio Emergencial, benefício do governo federal destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, depende do uso de dois aplicativos, um para cadastro e outro para o saque. Ferramentas de videoconferência se popularizaram e passaram a ser utilizadas diariamente para reuniões de trabalho e pessoais. A ferramenta Zoom, por exemplo, contava com 10 milhões de usuários por dia em dezembro de 2019 e em abril deste ano já contabilizava 300 milhões de usuários diariamente.

 

O atendimento da Defensoria Pública passou a ser realizado remotamente pela internet nos casos urgentes e tende a ser implementado nos casos ordinários em um futuro bem próximo. Os microempreendedores que ainda não acompanhavam as inovações tecnológicas, deverão se adaptar às plataformas digitais por questão de sobrevivência. Se o acesso à internet já era essencial, passou a ser imprescindível.

 

Enfim, a dinâmica das telecomunicações e sua contribuição para o desenvolvimento do ecossistema digital passa pela superação de muitos desafios, alguns históricos, e pela maximização das oportunidades tecnológicas que se apresentam. Assim, líderes, seja da esfera pública ou privada, envolvidos no desenvolvimento da infraestrutura de telecomunicações, e na elaboração das estratégias digitais, têm uma responsabilidade ainda maior no sentido de redobrar esforços e imprimir soluções criativas para que a agenda das telecomunicações e da sociedade digital seja desde já efetivamente priorizada. 

 

Ao fim, a pausa para reflexão que a presente crise oferece tampouco pode constituir uma armadilha para especulações estéreis ou consumir-se na solução dos problemas mais imediatos. Que saibamos fazê-la de maneira produtiva, orientada para a formulação de novas medidas e estratégias, de modo que a transformação digital nas sociedades pós-Covid-19 seja impulsionada.

 

Inclusão Digital               Coronavírus                Tecnologia

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