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Grand Army é a próxima série da Netflix que você deve maratonar

Grand Army é a próxima série da Netflix que você deve maratonar
Gyan Carlos
jan. 19 - 5 min de leitura
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Nos últimos meses, vimos séries da Netflix, como O Gambito da Rainha bater recorde de audiência, com mais de 62 milhões de espectadores em menos de um mês e Bridgerton gerar discussões acaloradas sobre os personagens da série, mas os amantes de seriados deixaram passar despercebido, um tesouro escondido no catálogo: a excelente Grand Army, que deveria estar nos holofotes das discussões nas mídias sociais.

Grand Army estreou no catálogo do serviço de streaming em 16 de Outubro de 2020, como uma adaptação da peça Slut: The Play, escrita por Katie Cappiello, que participou da série, como produtora executiva e roteirista, em alguns episódios.

A série de 9 episódios acompanha a história de cinco adolescentes: Joey (Odessa A’Zion), Dominique (Odley Jean), Leila (Amalia Yoo), Jayson (Maliq Johnson) e Sid (Amir Bageria), estudantes do Grand Army High School, um colégio público do Brooklyn, nos Estados Unidos. No primeiro episódio, uma bomba explode próximo a escola, colocando todos os alunos em lockdown. Reunidos nas escadas do colégio, a trama começa a se desenvolver com a aproximação dos adolescentes.

Inicialmente, a série pode parecer apenas um clichê de ensino médio americano, com personagens estereotipados, mas diferente de outras produções, Grand Army não tem a intenção de se apoiar em estereótipos e permite que seus personagens sejam desenvolvidos, além de seus papéis sociais no colégio.

 

Gen Z e Política


Grand Army é uma grande surpresa, ao abordar assuntos atuais e tão necessários, que permeiam, fortemente, o cotidiano de jovens da Geração Z, nascidos entre a metade dos anos 1990 até o início dos anos 2010.  A série nos apresenta personagens engajados em movimentos políticos e a maioria dos diálogos, durante a série, são conduzidos pela consciência política dos adolescentes, abordando temas como feminismo, estupro e consentimento, racismo e movimento negro, terrorismo e xenofobia, homofobia e mídias sociais, tudo de forma realística e crua. Durante os episódios, vemos os adolescentes se engajarem em protestos a favor da libertação do corpo feminino, arrecadação de dinheiro para o registro de jovens nas eleições e manifestações contra o racismo. Apesar de conscientes, nem todos os personagens agem de acordo com seus discursos, demonstrando que ainda existe um grande abismo entre colocar em prática, efetivamente, o que se é dito. 

A série também apresenta um elenco diverso, incluindo entre os protagonistas, dois jovens negros, uma adolescente asiática e um rapaz de ascendência indiana. Os personagens negros, Dom e Jayson, participam com seus amigos, de um grupo que discute questões do movimento negro e se engajam em protestos contra a falta de iniciativas da direção da escola, em proporcionar um ambiente mais seguro para os jovens racializados. Leila, a jovem chinesa, passa por uma crise de identidade, ao se deparar com outras jovens que falam chinês e não a consideram chinesa. Sid enfrenta uma batalha interna, ao questionar sua sexualidade e também o medo dos estereótipos associados à pessoas indianas, após o atentado; ao mesmo tempo, que precisa passar em uma boa faculdade, para dar orgulho à seus pais indianos.

Com um elenco diversificado, Grand Army nos apresenta os dilemas enfrentados por jovens politizados, que desde muito cedo, já entendem como seus corpos são percebidos em uma sociedade preconceituosa.

 

Grand Army é tudo que 13 Reasons Why sonhou ser

Apesar de apresentar alguns temas similares à 13 Reasons Why, Grand Army, em todo momento, se mostra consciente da responsabilidade em abordar assuntos tão reais, sem romantizá-los, ao contrário da série de sucesso da Netflix. Apesar de mostrar uma cena de estupro de forma bastante gráfica, em nenhum momento, a série minimiza a complexidade da situação e os sentimentos da personagem que passa pela situação traumática. Maior parte da trama acaba girando em torno desse acontecimento, porém, a série conduz a discussão sobre consentimento de forma respeitosa e de certa forma, educativa, mostrando situações reais de como a cultura do estupro ainda é um assunto que precisa ser, amplamente, discutido.

Todos os dramas vivenciados durante os episódios, dão oportunidade aos personagens de serem protagonistas de suas histórias, medos e angústias, permitindo ao telespectador se colocar no lugar deles e entender melhor como é ser adolescente em uma sociedade que ainda não consegue compreender suas mazelas.

 

Grand Army é a série que todos precisam assistir

Grand Army não é uma série fácil de assistir - talvez, por isso, não alcançou um sucesso tão imediato, como Sex Education, que aborda a adolescência de forma mais leve e cômica - mas se faz, extremamente, necessária, nos dias atuais. Os acontecimentos da série parecem ser tão reais, que poderiam estar acontecendo no colégio de bairro. Situações em que alunos gritam “Eu não consigo respirar”, em forma de protesto e citação sobre o Coronavírus, colocam a série numa realidade muito próxima a nossa e é isso que a faz tão única no gênero.

Importante: Grand Army pode apresentar cenas de gatilhos, sendo assim, não recomendada para todos.

Assista, abaixo, ao trailer da 1ª temporada de Grand Army:

 


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