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Entendendo o ISA: o modelo de financiamento que promete ser o futuro da educação

Entendendo o ISA: o modelo de financiamento que promete ser o futuro da educação
Bárbara Beatriz Camello
jul. 28 - 5 min de leitura
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Você já ouviu falar do ISA? A sigla vem do inglês Income Share Agreement e é um modelo de financiamento educacional compartilhado, no qual o aluno só paga o curso após conseguir uma colocação no mercado de trabalho com renda mínima pré acordada. 

Mas como se organiza o ISA?

O funcionamento deste financiamento se baseia na prestação de contas mensal do estudante, que deve informar à instituição parceira o valor do salário que está recebendo para que, assim, seja provado que o curso previamente pago realmente gerou condições para que o aluno conseguisse ter acesso à renda mínima acordada, com oportunidades de crescer e se desenvolver em sua carreira. 

O percentual cobrado pelo ISA em cima da remuneração dos ex-alunos geralmente gira em torno de 18% e, frequentemente, este valor começa a ser recebido a partir do momento em que o salário registrado pelos ex-estudantes está entre 3 e 4 mil reais. Contudo, há variáveis. 

 

Tenho chances de não conseguir uma vaga?

A possibilidade do desemprego pode acontecer até mesmo com ex-alunos que estudaram com o auxílio do ISA. Mas isso já é uma questão contratualmente prevista. Caso o profissional não consiga se estabelecer no mercado durante o tempo previamente acordado para o pagamento do financiamento, entende-se que o ensino fornecido pela instituição parceira não funcionou da maneira esperada e, como consequência, o contrato é finalizado e o estudante consegue sair do acordo sem ter que pagar nada.

 

É verdade que o ISA ajuda a movimentar o mercado?

É impossível, do ponto de vista corporativo, ignorar a possibilidade de que a instituição de ensino que fornece o curso saia sem lucros no fim do ISA. Por isso este modelo de financiamento auxilia, também, o desenvolvimento educacional dos locais participantes, uma vez que estes são obrigados a modernizarem-se para estar o mais próximos possível do mercado de trabalho, garantindo, desta maneira, que a futura colocação de um estudante não venha a ser motivo de preocupação.

O modelo ISA  tem sido muito utilizado para cursos da área de tecnologia, já que a demanda por mão de obra qualificada na área cresce exponencialmente. Segundo pesquisa realizada pelo Nexo Jornal, o salário médio de desenvolvedores brasileiros é 89% mais alto do que o resto da população, o que dá base para  que o financiamento funcione da forma esperada.

Além disso, o ISA vem como uma maneira de que a empregabilidade seja aumentada em em tempo recorde. Isto se dá com o incentivo a programas de aceleração de carreira capazes de permitir que ex-alunos consigam alcançar a renda mínima para o pagamento de seus cursos o mais rápido possível.

De onde surgiu o ISA?

No Brasil, o modelo é consideravelmente recente, entretanto, em outros países o ISA já é comum faz tempo. O primeiro registro de uma tentativa de utilização do modelo data de 1970, na universidade de Yale. Contudo, foi apenas nos anos seguintes que este financiamento começou a, de fato, ser posto em prática. De acordo com dados da Vemo Education, companhia que fecha este tipo de acordo entre alunos e universidades estadunidenses, atualmente pelo menos 60 instituições utilizam o modelo com parte de seus alunos.

 

E se eu perder meu emprego, como fica?

No caso da perda de emprego ou da diminuição da remuneração mensal, é importante lembrar que, desde o início, o ISA é baseado em uma declaração de renda mensal do estudante. Portanto, no caso de um cenário no qual o aluno enfrente problemas financeiros, estes serão mostrados mês a mês pelo relatório e, durante aquele período, não será necessário pagar o valor acordado à instituição de ensino. 

 

Quando o contrato acaba?

Há duas maneiras de finalização: quando o valor da parcela alcança o combinado ou quando os alunos chegam, ainda sem a renda necessária, aos 60 meses após o fim do curso. O que acontecer primeiro. 

Contudo é importante ressaltar que, caso o pagamento tenha se iniciado com atraso, se o salário recebido pelo aluno for maior do que aquele inicialmente pré determinado, a instituição parceira poderá exigir um percentual maior em cima do valor, a fim de que haja a conclusão do pagamento do ISA durante os 60 meses previstos.

Caso o aluno deseje, ele poderá também aumentar sua contribuição para chegar o quanto antes possível no que é conhecido como "Janela do Pagamento", ou seja, o momento no qual o valor é 100% quitado.

 

Tem processo seletivo para participar?

Sim e ele varia de acordo com cada programa. As vagas não costumam ser muitas, então é importante ficar atento àquelas que despertam maior interesse. Após a formação, as empresas educacionais têm convênios com empresas que empregam, facilitando a conexão aluno X empresa e ajudando na empregabilidade. Dessa maneira, os dois lados saem ganhando e o ISA cumpre o seu principal papel.


 

Texto por: Bárbara Beatriz Camello e Maria Taveira.


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