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Ego: da literatura do século XIX ao livro de Ryan Holiday

Ego: da literatura do século XIX ao livro de Ryan Holiday

Queridos e queridas, como vocês estão?

Cá estou eu, mais um vez, querendo mandar um papo reto para vocês.

Hoje, eu trouxe um assunto um tanto polêmico e importante, o ego.

Antes de tudo, só gostaria de deixar claro que esse ego de que vou tratar não segue a linha da abordagem psicanalítica de Freud, que diz que o ego é a instância da mente humana responsável pela compreensão da realidade.

O que eu trago para vocês são algumas discussões sobre a visão popular do ego, onde ele é nada mais nada menos que a imagem que temos de nós mesmos.

Tudo devidamente esclarecido, podemos começar.

festa vai GIF por FIBA3x3

Quando essa imagem (a imagem que temos de nós mesmos) fica distorcida da realidade, sendo vista como maior e melhor do que de fato é, chamamos de EGOCENTRISMO. É o orgulho que deixa de ser saudável e passa a ser exagerado.

E, bem, vocês sabem que o egocentrismo é a principal característica de pessoas egocêntricas (isso é quase um trava-língua hahaha tente ler em voz  alta, sério).

Mas... o que é uma pessoa egocêntrica?

Bem, o egocêntrico é uma pessoa que está demasiadamente focada em sua autoimagem e a coloca em um pedestal, acreditando que é o único merecedor de atenção e de sucesso.

Quando pensamos em um exemplo de prático de uma personalidade egocêntrica, um nome muito comum é o de Dorian Gray.

E... quem é Dorian Gray?

(Com licença, leitores e leitoras do meu coração. Chegou o meu momento de falar sobre literatura clássica).

Proud Self Five GIF by Zara Larsson

Dorian Gray é o personagem principal do romance aclamado que Oscar Wilde publicou em 1890, “O retrato de Dorian Gray”.

Vou contar um pouco da história porque ela é boa demais.

Dorian era um homem com jovialidade e beleza invejáveis. Ele era aquele tipo de pessoa que recebe olhar de todo mundo por onde passa, sabe?

Só que Dorian não tinha noção de toda sua beleza e formosura até o dia em um pintor o retratou em um quadro. O processo foi longo, mas o quadro fez com que Dorian tivesse consciência de seu ar jovem e angelical.

Consciência até demais, nós podemos dizer.

Com o tempo, Dorian passou a ficar irritado com a ideia de que envelheceria e perderia toda sua beleza, enquanto o quadro seria admirável para sempre. Dorian pensava que, com o passar dos anos, olhar para seu retrato seria uma tortura, pois ele lhe lembraria dos tempos de juventude.

Por causa disso, ele acaba fazendo um pacto: sua aparência continuaria impecável para sempre, enquanto o quadro refletiria as marcas da idade e do tempo.

Mas o preço da beleza infinita foi caro. Dorian passou a realizar feitos não muito nobres e ir contra os princípios morais e éticos da Inglaterra do século XIX. E o quadro, que ele mantinha muito bem escondido, passou a refletir sua alma maligna.

(Se você gosta de literatura clássica, o livro é uma indicação excelente. Apesar de não ter sido o objetivo de Wilde com a obra, ela nos faz refletir muito sobre a arte e os padrões estéticos).

Como vocês podem perceber, Dorian venerava sua beleza. Sua aparência física era tudo para ele. Ela era a raiz de seu egocentrismo.

Porém, ele pode se manifestar em nós de formas muito distintas:

Pelo engrandecimento exagerado de nossos feitos, por um orgulho exacerbado de si mesmo e pela falta de humildade, entre outros sentimentos e emoções.

Em suma, o ego se torna nosso maior inimigo quando fala mais alto e dita nossas ações.

E, por mais que ninguém (além de Dorian) tenha conseguido sustentar a autoimagem exagerada por muito tempo, o ego nos torna pessoas más e perversas, como a personagem do livro.

No livro “O ego é seu inimigo”, Ryan Holiday afirma, inclusive, que o orgulho precipitado (uma das características do ego elevado) é o passo rumo ao abismo e à queda.

Fall Falling GIF de Sam Jack Gilmore

E você sabe por que o ego pode vir a ser tão prejudicial?

Porque o orgulho exagerado fecha nossos olhos para sugestões, feedbacks e para o desenvolvimento.

Ele nos faz acreditar que estamos em um patamar muito mais elevado do que realmente estamos, o que nos leva a crer que não precisamos nos preparar e que “merecemos” conquistar sucesso e prestígio.

Essa crença exagerada elimina nossa humildade e nos impede de estarmos em constante aprendizado. Afinal, como poderemos aprender aquilo que já acreditamos saber?

O grande problema é que é muito fácil perdemos o controle e deixarmos o ego tomar conta de nós.

Então, como evitar que isso aconteça?

Acredite ou não, nosso querido Ryan nos ajudou com isso também.

diabos sim dançando GIFdiabos sim dançando GIFdiabos sim dançando GIFGIF Simon Cowell feliz da America's Got Talent

Ele diz que o caminho a ser seguido é fazer nosso trabalho, manter a consistência e seguir nosso propósito. Dessa forma, nossa confiança será baseada em nosso crescimento e não em uma imagem idealizada de nós mesmo.

Assim, poderemos manter nossa personalidade pequena e se concentrar no que fazemos, para termos resultados concretos e mensuráveis.

E, claro, não deixaremos que o sentimento de superioridade e o orgulho se aposse de nós!

Para terminar, gostaria de trazer uma frase do livro que é um mantra no combate ao ego:

“Veja muito, estude muito, sofra muito, eis o caminho da sabedoria.”


E chegamos ao fim de mais um artigo!!

Vamos manter o diálogo? Deixe seu feedback e sua contribuição, eu adoraria saber o que você pensa :)

Comunidade do Estágio
Jeanne Delava
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Uma estudante de Relações Internacionais apaixonada pela simplicidade, pelo mundo ao seu redor e pela troca de experiências. O que você tem para me contar hoje?

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