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Cara gente branca!

Cara gente branca!
Beatriz Carvalho
out. 19 - 6 min de leitura
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É notório que o seriado "Cara Gente Branca" da empresa Netflix, teve grande sucesso e repercussão, não só nos Estados Unidos, como também no Brasil, dentro e fora das comunidades Negras.

Este seriado traz como tema a vida universitária dos alunos da faculdade de Winchester. A trama é voltada para um dos grupos mais famosos dentro dessa universidade, que é a revista de humor Pastiche, cujos membros (todos brancos) deixam sua marca tornando-se satiristas, roteiristas de televisão, como também anfitriões de uma festa racista, a blackface.

Dentro da própria universidade Winchester há outros grupos diferenciados que começam lutar contra esse tipo de propagação e racismo, uma vez que a universidade se declara anti-racista. É envolto desta temática, racismo estrutural, que se finda o seriado. 

Sendo a Blackface uma das formas de se externalizar o racismo social, este que é a espinha dorsal de nossa sociedade. Os criadores deste seriado trouxeram para o público um tema bastante complexo e necessário a ser discutido. 

Entretanto, será que todas as pessoas que assistiram ao seriado entenderam como é doloroso a vida cotidiana dos negros? Entenderam que não é mito que há racismo estrutural na sociedade em que vivemos? E quanto as pessoas que irão assistir ao seriado?

Com o sentimento de responsabilidade, antes mesmo de somente vir e divulgar um seriado de extrema importância para o público que necessita de conhecimento, venho por meio deste, através de conceitos científicos, trazer uma breve explicação do que seria esse mal que habita em nossa sociedade.

O que sabemos sobre a estrutura em que se findou o racismo? Segundo o portal Brasil de Direitos, racismo estrutural é a "naturalização de ações, hábitos, situações, falas e pensamentos que já fazem parte da vida cotidiana do povo brasileiro, e que promovem, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial".

O racismo social foi chamado de racismo estrutural por Carl E. James. Segundo ele, a sociedade é estruturada de maneira a excluir um número substancial de minorias da participação em instituições sociais. 

O racismo estrutural é a formalização de um conjunto de práticas institucionais, históricas, culturais e interpessoais dentro de uma sociedade que frequentemente coloca um grupo social ou étnico em posição melhor para ter sucesso e ao mesmo tempo, prejudica outros grupos de modo consistente causando disparidades que se desenvolvem entre os grupos ao longo de um período de tempo.

Contudo, quem é Carl E. James?! James é professor da faculdade de Educação e Interlocutor nos programas de Pós-Graduação em Sociologia, Pensamento social e Serviço Social pela York University, como também é Oficial de Ação Afirmativa, Equidade e Inclusão da universidade. Ele foi o diretor do York Center on Education & Community (2008-2016) que fundou; também foi diretor do programa de Pós-Graduação em Sociologia (2007-2008).

Carl E. James é amplamente reconhecido por suas contribuições de pesquisa nas áreas de interseccionalidade de raça, etnia, gênero, classe e cidadania a medida que moldam a identificação/identidade as maneiras pelas quais oportunidades acessíveis e equitativas na educação e no emprego são responsáveis pelas experiências vividas pelos membros marginalizados da comunidade.

As políticas públicas, práticas institucionais,representações e outras normas funcionam de diversas maneiras, muitas vezes reforçando e perpetuando a desigualdade de grupos raciais, identificando na nossa história e cultura dimensões que permitem privilégios associado à "branquitude" e desvantagens à "negritude".

Essa forma estruturada de racismo não é algo que algumas pessoas ou instituições optem praticar, mas uma característica dos sistemas sociais, econômicos e políticos em que todos nós existimos.

O livro "O que é racismo estrutural? " de Silvio Luiz de Almeida, provoca a reflexão sobre os conceitos de racismo como fundamento estruturador das relações sociais, com base em autores reconhecidos pelos estudos de teoria crítica racial, colonialismo, imperialismo e capitalismo. Este livro evidencia a importância de compreensão dos fatos históricos, sociais, políticos jurídicos e econômicos para se entender a existência do racismo.

O autor Silvio Luiz de Almeida é diretor-Presidente do instituto Luiz Gama, Presidente do IBCCRIM e professor de importantes universidades brasileiras. Ele é ativista na luta de combate ao racismo, tendo publicado artigos que abrangem as relações sociais e a desigualdade racial, assim como as mudanças que ocorrem nas sociedades quando há crises.

A revista de Ciências sociais da universidade federal do Ceará, lançou um periódico do departamento de Ciências e do programa de Pós-Graduação em Sociologia. Esse trabalho é denotado com o título de "Raça e Racismo em perspectiva global". Ele traz composto em si um conjunto de dossiês, artigos, entrevistas e resenhas que remetem ao conceito de racismo e sua estrutura social. 

Mesmo me fazendo breve, deixo aqui, além da resenha deste seriado maravilhoso, nomes de personas e trabalhos científicos para que sejam usados como fontes de pesquisas, não só por universitários, como também por todos que assim o quiserem. Sendo uma das fontes para que não haja mais dúvida que racismo existe.

"O paradoxo da educação é que quando alguém começa a se tornar consciente, começa a examinar a sociedade na qual está sendo educado." James Baldwin.

 

Cara gente branca!

 

Não é possível ter de aceitar os fingimentos e crendices que nada acontece de errado, que não há racismo no nosso país ou que vocês não tenham privilégios.

Parafraseando a querida Samantha White (do seriado "Cara gente branca").

"Cara gente branca, vou dar um conselho: quando perguntar a alguém que se pareça etnicamente diferente "o que você é ?", A resposta costuma ser: "Alguém prestes a arrastar sua cara no asfalto".

Essas palavras são usadas como metáfora para exemplificar o que não iremos, pois, não iremos mais aceitar nada menos do que merecemos, e nós merecemos o mundo todo.

Então, pratiquem o bom costume da leitura informativa, que vem desde a leitura científica até a jurídica, porque certas práticas, além de serem prejudiciais as minorias, são crimes gravíssimos e crimes raciais nós denunciamos.

 

E como de costume...

 

De quem é a culpa?🕵🏾‍♀️

 

#aculpanãoédonegro ✊🏿✊🏾✊🏽✊🏼#aculpanãoédasminorias 🗣️#aculpanãoédouniversitário


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