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Cameron e Ferris: o que somos X o que queremos nos tornar

Cameron e Ferris: o que somos X o que queremos nos tornar

Mesmo mais de 3 décadas após seu lançamento, é fato que Curtindo a Vida Adoidado continua cativando gerações (seja pela antiga Sessão da Tarde ou pela vibe nostálgica que a cultura pop vem resgatando ultimamente) graças a  sua história simples, porém cativante.

Para muitos, pode tratar-se apenas de mais um filme adolescente oitentista, mas a verdade é que o enredo sobre o jovem que arma todo um plano para cabular aula e curtir o dia ao lado da namorada e do melhor amigo, carrega consigo muito mais camadas que se pode imaginar. 

Há muitas reflexões presentes em todo o filme, e se observarmos com atenção, vão ficando mais claras a cada vez que o (re)assistimos. Mas por ora, quero destacar aqui o personagem que apesar de não ser protagonista, rouba a cena por sua complexidade e fácil identificação com o público: Cameron Frye.

 

Ao contrário de Ferris, que é extrovertido, popular e seguro de si, Cameron é o extremo oposto, sendo apresentado a nós como alguém medroso, inseguro e um tanto frágil emocionalmente.

Tal diferenciação entre ambos fica clara já no início do filme, nos levando a questionar até o porquê de duas pessoas tão distintas serem amigas.

A medida que a história avança no entanto, somos tomados mais uma vez pela surpresa, quando toda a jornada do herói, que no geral diz respeito ao personagem principal, desenrola-se quase completamente a partir de Frye, levando até o telespectador mais desatento a se questionar sobre seus medos e inseguranças.

Afinal, por que Ferris consegue simplesmente desencanar das coisas e Cameron não?

Por que Cameron sente tanto medo de coisas que ele nem sequer pode controlar?

São perguntas que nos fazemos, ao mesmo tempo em que enxergamos em Cameron uma espécie de espelho

Enquanto Ferris é a imagem idealizada daquilo que queremos vir a nos tornar em algum momento da vida, Cameron representa o que somos: pessoas cheias de medos, pensamentos por vezes limitantes e pouco confiantes quanto a nós mesmos.

Ok, mas o que posso fazer para me tornar mais como o Ferris, então?

A resposta não está em nenhuma poção mágica (quem dera existisse uma, né?) mas em um único lugar: dentro de nós.

Ao decidir encarar o pai após ter destruído a Ferrari (alerta de spoiler!), Cameron não muda radicalmente, mas dá o primeiro passo para a grande mudança em sua vida, que é ir contra seus problemas e não mais fugir deles.

Do medo irracional e paralisante a autoconfiança, o caminho com certeza é longo e muitas vezes tortuoso, mas a mensagem final é de que não podemos esperar a mudança de um dia para o outro, da mesma maneira que não podemos permanecer estagnados.

A transformação de Cameron é admirável, e ainda que venha a cair em algum momento, a primeira certeza é que seus amigos sempre estarão lá para ajudá-lo e a segunda, é que ele já não será mais o mesmo (e isso é libertador!).

Logo, se queremos ser mais confiantes, precisamos aprender a nos ouvir e olhar com gentileza, e reconhecer que sempre podemos optar por aprimorar nossos pontos fracos, vindo a nos tornar pessoas melhores a cada dia.

E você? Tem sido mais como Ferris ou como Cameron?


 

Comunidade do Estágio
Mariana Fekete Oshima
Mariana Fekete Oshima Seguir

Futura publicitária, apreciadora de boas histórias e escritora de corpo e alma. Apaixonada por livros, e mais apaixonada ainda pela possibilidade de tocar pessoas com palavras.

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